sexta-feira, 12 de outubro de 2012

O STF E OS PRECEDENTES PERIGOSOS

por Mauro Santayana

Nunca tivemos, no Brasil e alhures, uma justiça perfeita. A esse respeito permanece como paradigma da dúvida do julgamento político a condenação de Sócrates. A acusação que lhe fizeram foi de impiedade, o que, no léxico de então, mais do que hoje, significava heresia diante dos deuses: Sócrates estaria pervertendo os jovens com seus ensinamentos, tidos também como antidemocráticos. As lições de Sócrates sempre foram da dúvida, da incessante busca do conhecimento, mesmo que o conhecimento fosse, em sua inteligência, inalcançável. Ele dizia saber que nada sabia.

Nesse pensamento negativo radical, recriado e elaborado por Platão, estaria, em ultima ratio – à qual não se atreveu Platão – a suprema heresia de duvidar da existência dos deuses. Os deuses eram os fiadores da democracia, e quando esse contrato com o mito, em que se fundava a sociedade, rompeu-se, ao ser sua existência posta em dúvida, Atenas perdeu o seu ponto de gravidade e entrou em irrecorrível declínio político.

Não estamos em Atenas daquele tempo emblemático, e seria, isso, sim, impiedosa heresia comparar o julgamento atual do STF ao de Sócrates. Em certo aspecto, no entanto, os dois episódios se semelham: o do espetáculo. Como tudo em Atenas, o julgamento de Sócrates foi público, com 501 juízes. Os acusadores e Sócrates, em sua apologia, foram ouvidos por uma assembléia numerosa, de acordo com os relatos, mas os que acompanham a Ação 470 vão muito além: chegam a dezenas de milhões.

A transparência é salutar, mas não seria essa exposição demorada e ampla, vista pelo outro lado da razão, contaminada pela vaidade de alguns magistrados e, dela decorrente, pela influência de jurados estranhos e ilegítimos, mediante os meios de comunicação?

Todos os condenados já se encontravam, mesmo sem que se conhecessem devidamente os fatos, julgados por apresentadores de programas de televisão e políticos, sem falar nos que se identificavam como “cientistas políticos” e “juristas”, iluminados pelos holofotes, que supriam de argumentos interessados os mediadores das emissoras. Assim se desenvolveu um julgamento paralelo, que antecipava votos e açulava os telespectadores contra os réus. Por isso mesmo, e de acordo com alguns observadores, também em outros aspectos foi um julgamento que desprezou as cautelas da lei no que se refere ao direito de defesa dos acusados.

Se isso realmente ocorreu, abriu-se precedente perigoso, que poderá servir, no futuro, contra qualquer um. Ainda que os acusados fossem realmente culpados, a violação de alguns princípios, entre eles o da robustez das provas, macula o processo e o julgamento. Como dizia Maquiavel, “quando se violam as leis por uma boa causa, autoriza-se a sua violação por uma causa qualquer”, ainda que nociva ao Estado.

O que os observadores de bom senso temem é que o inconveniente espetáculo, em que se transformou o julgamento da Ação 470, excite os golpistas de sempre. Ainda que a sugestão não passe de tolice insana, há os que pretendem aproveitar-se do julgamento para promover um processo contra o presidente Lula e seu governo.

Se isso viesse a ocorrer, os juízes do Supremo teriam que admitir novos processos contra outros chefes de Estado, pelo menos no exame dos atos de governo dos últimos vinte anos. Como diz o provérbio rural, o risco que corre o pau, corre o machado.

A história nos mostra – e 1964 é alguma coisa recente na vida nacional – que uma das primeiras vítimas institucionais dos golpes é exatamente a imprensa. O “Correio da Manhã”, que se excedeu no entusiasmo conspiratório, e publicou o célebre editorial de primeira página em favor da deposição de Jango pela força, sob o título de “Basta, e Fora!”, foi o primeiro a se arrepender – tardiamente – e o primeiro a ser sufocado pela arbitrariedade da Ditadura.

Os outros vieram depois, amordaçados pela censura, e obrigados a beber do fel que queriam que fosse servido aos competidores. Os açodados editores dos jornais e diretores dos meios eletrônicos, como são as emissoras de rádio e televisão, devem consultar seus arquivos e meditar essas lições do passado.

Com todo o respeito pelo STF e a sua autonomia republicana, não nos parece conveniente a transmissão ao vivo dos julgamentos. Os juízes devem ser protegidos pelos ritos da discrição. Seria ideal, também, para a respeitabilidade da Justiça, que os juízes só recebessem as partes e seus advogados em audiências regulares, das quais já participam oficialmente os representantes do Ministério Público.

O ato de julgar, em todas as suas fases, deve ser visto como alguma coisa sagrada. Essa era a razão dos ainda mais antigos do que os gregos, que só escolhiam os anciãos para a difícil missão de ministrar a justiça. Os julgamentos não podem transformar-se em entretenimento ou em competição oratória.

fim

terça-feira, 28 de agosto de 2012

“Por que defendemos o Wikileaks e Assange”



Se Assange for extraditado para os Estados Unidos, as consequências repercutirão por anos, em todo o mundo. Assange não é cidadão norte americano, e nenhuma de suas ações aconteceu em solo norte americano. Se Washington puder processar um jornalista nessas circunstâncias, os governos da Rússia ou da China poderão, pela mesma lógica, exigir que repórteres estrangeiros em qualquer lugar do mundo sejam extraditados por violar as suas leis. O artigo é de Michael Moore e Oliver Stone.

Por Michael Moore e Oliver Stone

Passamos as nossas carreiras de cineastas sustentando que os meios de comunicação norte-americanos são frequentemente incapazes de informar os cidadãos sobre as piores ações do nosso governo. Portanto, ficamos profundamente gratos pelas realizações do WikiLeaks, e aplaudimos a decisão do Equador de garantir asilo diplomático a seu fundador, Julian Assange – que agora vive na embaixada equatoriana em Londres.

O Equador agiu de acordo com importantes princípios dos direitos humanos internacionais. E nada poderia demonstrar quão apropriada foi a sua ação quanto a ameaça do governo britânico, de violar um princípio sagrado das relações diplomáticas e invadir a embaixada para prender Assange.

Desde sua fundação, o WikiLeaks revelou documentos como o filme “Assassinato Colateral”, que mostra a matança aparentemente indiscriminada de civis de Bagda por um helicóptero Apache, dos Estados Unidos; além de detalhes minuciosos sobre a face verdadeira das guerras contra o Iraque e Afeganistão; a conspiração entre os Estados Unidos e a ditadura do Iemen, para esconder a nossa responsabilidade sobre os bombardeios no país; a pressão do governo Obama para que outras nações não processem, por tortura, oficiais da era-Bush; e muito mais.

Como era de prever, foi feroz a resposta daqueles que preferem que os norte-americanos não saibam dessas coisas. Líderes dos dois partidos chamaram Assange de “terrorista tecnológico”. E a senadora Dianne Feinstein, democrata da Califórnia que lidera o Comitê do Senado sobre Inteligência, exigiu que ele fosse processado pela Lei de Espionagem. A maioria dos norte-americanos, britânicos e suecos não sabe que a Suécia não acusou formalmente Assange por nenhum crime. Ao invés disso, emitiu um mandado de prisão para interrogá-lo sobre as acusações de agressão sexual em 2010.

Todas essas acusações devem ser cuidadosamente investigadas antes que Assange vá para um país que o tire do alcance do sistema judiciário sueco. Mas são os governos britânico e sueco que atrapalham a investigação, não Assange.

As autoridades suecas sempre viajaram para outros países para fazer interrogatórios quando necessário, e o fundador do WikiLeaks deixou clara a sua disposição de ser interrogado em Londres. Além disso, o governo equatoriano fez uma oferta direta à Suécia, permitindo que Assange seja interrogado dentro de sua embaixada em Londres. Estocolmo recusou as duas propostas.

Assange também se comprometeu a viajar para a Suécia imediatamente, caso o governo sueco garanta que não irá extraditá-lo para os Estados Unidos. As autoridades suecas não mostraram interesse em explorar essa proposta, e o ministro de Relações Exteriores, Carl Bildt, declarou inequivocamente a um consultor jurídico de Assange e do WikiLeaks que a Suécia não vai oferecer essa garantia. O governo britânico também teria, de acordo com tratados internacionais, o direito de prevenir a reextradição de Assange da Suécia para os Estados Unidos, mas recusou-se igualmente a garantir que usaria esse poder. As tentativas do Equador para facilitar esse acordo entre os dois governos foram rejeitadas.

Em conjunto, as ações dos governos britânico e sueco sugerem que sua agenda real é levar Assange à Suécia. Por conta de tratados e outras considerações, ele provavelmente poderia ser mais facilmente extraditado de lá para os Estados Unidos. Assange tem todas as razões para temer esses desdobramentos. O Departamento de Justiça recentemente confirmou que continua a investigar o WikiLeaks, e os documentos do governo australiano de fevereiro passado, recém-divulgados afirmam que “a investigação dos Estados Unidos sobre a possível conduta criminal de Assange está em curso há mais de um ano”. O próprio WikiLeaks publicou emails da Stratfor, uma corporação privada de inteligência, segundo os quais um júri já ouviu uma acusação sigilosa contra Assange. E a história indica que a Suécia iria ceder a qualquer pressão dos Estados Unidos para entregar Assange. Em 2001, o governo sueco entregou à CIA dois egípcios que pediam asilo. A agência norte-americana entregou-os ao regime de Mubarak, que os torturou.

Se Assange for extraditado para os Estados Unidos, as consequência repercutirão por anos, em todo o mundo. Assange não é cidadão norte americano, e nenhuma de suas ações aconteceu em solo norte americano. Se Washington puder processar um jornalista nessas circunstâncias, os governos da Rússia ou da China poderão, pela mesma lógica, exigir que repórteres estrangeiros em qualquer lugar do mundo sejam extraditados por violar as suas leis. Criar esse precedente deveria preocupar profundamente a todos, admiradores do WikiLeaks ou não.

Invocamos os povos britânico e sueco a exigir que os seus governos respondam a algumas questões básicas. Por que razão as autoridades suecas se recusam a interrogar Assange em Londres? E por que nenhum dos dois governos pode prometer que Assange não será extraditado para os Estados Unidos? Os cidadãos britânicos e suecos têm uma rara oportunidade de tomar uma posição pela liberdade de expressão, em nome de todo o mundo.

(*) Artigo publicado originalmente em português em Outras Palavras.

Tradução: Daniela Frabasile

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Gore Vidal en Cuba: la entrevista con Cubadebate


Murió Gore Vidal: Incluimos entrevista que concediera a Cubadebate en el 2006

1 AGOSTO 2012

          Gore Vidal en Cuba, durante la entrevista con Cubadebate


Gore Vidal, escritor, dramaturgo, político y analista, ha fallecido en Los Angeles a los 86 años, según ha informado su sobrino. Sus novelas, ensayos, obras de teatro y opiniones estuvieron siempre marcadas por su ingenio y una sabiduría no convencional e inmodesta. De acuerdo con la agencia AP, Gore Vidal falleció en su casa en Hollywood Hills este martes sobre las 18:45 (hora local) por complicaciones de neumonía, según Burr Steers. Vidal vivía solo en su casa y llevaba “bastante tiempo” enfermo. Junto con contemporáneos suyos como Norman Mailer o Truman Capote, Vidal formaba parte de un generación de escritores literarios que también eran auténticos opinadores en talk shows y en las columnas de opinión. Cubadebate reproduce una entrevista que le hizo a Vidal la editora de este sitio, Rosa Miriam Elizalde, durante la visita que el genio de las letras norteamericanas realizara a Cuba en octubre de 2006:



“Tengo celos de Cuba”, dice Gore Vidal

Por Rosa Miriam Elizalde

Estuvo en Cuba cinco días. Siguió un programa delirante que lo llevó de la Universidad de Ciencias Informáticas a la Escuela Latinoamericana de Medicina, de la Colina universitaria a la Escuela Nacional de Ballet, de La Habana Vieja al parque que recuerda a John Lennon con una réplica en bronce del director de los Beatles, sentado en un banco como un buen hijo de vecino. En un respiro de una hora, Gore Vidal accede a conversar con este diario. El más erudito escritor estadounidense de su generación y el más corrosivo crítico de la actual administración republicana, no habla, sino interpreta lo que dice. Modula la voz y aparecen George W. Bush, Eisenhower, F. D. Roosevelt, algún oscuro oficial del Pentágono y hasta el propio Gore Vidal, burlándose de todos ellos, con la ironía emboscada en un rostro que desmiente sus 81 años recién cumplidos. Le interesa más ser recordado como historiador que como autor de ficción. Aunque sus obras fácilmente triplican su edad -en su bibliografía hay novelas, tragedias, comedias, memorias, ensayos, guiones de cine y de televisión-, su obsesión es una sola: el extravío de la República. «El principal trozo de sabiduría que aprendí de Thomas Jefferson, y este de Montesquieu, es que no se puede mantener una República y un imperio al mismo tiempo. Desde 1846, en guerra con México, somos imperialistas rapaces».

-¿Cuándo despierta la conciencia antiimperialista de Gore Vidal?

-Francamente, yo creía que nuestro esfuerzo expansionista había terminado en 1898. Que era apenas un paréntesis entre 1846 y 1898, cuando destrozamos al Imperio español y tomamos el Caribe y las Filipinas, que era lo que verdaderamente queríamos. Habíamos terminado vencedores en la Segunda Guerra Mundial. Conquistamos a Alemania y a Japón. Ocupamos ambos países -cada uno un mundo, y no simplemente una nación. Éramos los dueños del primer imperio global y se lo debíamos también a otro Roosevelt imperial, Franklin Delano, que sabía muy bien lo que hacía. Quería destruir al colonialismo europeo donde estuviera, y en compensación a sus «esfuerzos», los Estados Unidos recibían el mandato de «cuidar» a los países «liberados», como a él le encantaba decir. Eso nos metió formalmente en el negocio de Imperio.

«En Guatemala tuve una gran amistad con Mario Monteforte Toledo, escritor, vicepresidente de la nación y presidente del Parlamento de su país durante el gobierno de Juan José Arévalo. Yo vivía en Antigua y él venía de vez en cuando a verme, a mi casa. Un día me dijo: “no nos queda mucho, ¿sabes?”. “¿De qué me hablas?”, le respondí. “Tu gobierno ha decidido intervenir en Guatemala”. Y yo no daba crédito: “Oh, mira, acabamos de derrocar y tomar a Alemania y a Japón, ¿qué vamos a hacer con Guatemala? No tiene sentido. No vale la pena”. Respondió: “Sí vale la pena para la United Fruit Company, que no quiere pagar un mínimo impuesto por nuestros plátanos, que venden en el mundo entero, mientras nosotros no ganamos nada. Ella es la que controla las relaciones entre los dos países». Fue mi primera lección de política hemisférica.

«Sabía del imperialismo yanqui, pero creí que esto era una exageración de mi amigo. Mientras tenía lugar esa conversación con Mario, Henry Cabot Lodge Jr. -el hijo de Henry Cabot Lodge que había sido senador por Massachussets y uno de los más entusiastas partidarios de la conquista de Filipinas-, llamaba al Presidente (Dwight David) Eisenhower para soplarle al oído las palabras mágicas: Arévalo y su grupo en Guatemala son “comunistas” y van a ocupar las tierras de la United Fruit. La historia posterior es conocida: forzaron a Arévalo a irse y luego intervinieron, en 1954. El gobierno electo de Jacobo Arbenz, elegido por voto popular, fue derrocado por el embajador norteamericano John Peurifoy, e impusieron al general Carlos Castillo Armas. De ahí en adelante, los Estados Unidos garantizaron a sus guerreros en el gobierno y un baño de sangre a los ciudadanos guatemaltecos. Mark Twain tenía toda la razón cuando dijo, después de la intervención de los Estados Unidos en Filipinas: “las barras y las estrellas de la bandera norteamericana deberían ser reemplazadas por el símbolo de Jolly Roger, la calavera sobre dos tibias cruzadas. Llevamos la muerte a donde quiera que vamos”».

REPÚBLICA BANANERA

-En su novela La Edad Oro usted asegura que Franklin Delano Roosevelt pudo haber evitado el ataque a Pearl Harbor, que sacó a los norteamericanos de su pacífico aislacionismo y decidió la entrada de los EE.UU. en la guerra. ¿Hasta qué punto eso fue así?

-Las naciones, como los individuos, tienden a seguir determinadas recetas. Si un plan que tienen en la cabeza funcionó una vez, quizá funcione de nuevo. Cada vez que un presidente es asesinado, la primera conclusión es que lo hizo un «asesino enloquecido y solitario», por pura maldad. Jamás se ofrece un por qué, una razón, un motivo. Y no lo hacen, porque quizá pudiéramos enterarnos entonces de los oscuros entretelones de la política, y al pueblo estadounidense nunca se le habla nada de política.
«Roosevelt, probablemente con la mejor voluntad del mundo, vio que Hitler era peligroso no solamente para Europa, sino a largo plazo también para los Estados Unidos. Éramos, al fin y al cabo, un poder mercantil. Comerciábamos. Con Hitler encargado de Europa la vida sería muy difícil para nosotros. En 1940, el 80 por ciento de los estadounidenses (entre ellos yo) nos oponíamos a que nuestro país se involucrara en la guerra en Europa. Pero Roosevelt tomó la ofensiva. Él fue nuestro gran Maquiavelo. Sabía, mejor que cualquier otro presidente anterior, cómo funcionaba el mundo. Estaba plenamente consciente de que el hundimiento de nuestros barcos nos había empujado a la guerra contra Alemania en 1917, pero eso no sería suficiente en 1941. Necesitaba un trauma de importancia que decidiera a los norteamericanos por la guerra. Por tanto, provocó deliberadamente a los japoneses para que nos atacaran el 7 de diciembre de 1941 en Pearl Harbor.

«Fue un plan brillante y funcionó. Los japoneses acababan de firmar un acuerdo con Alemania e Italia, la Alianza Tripartita. Si alguien atacaba a uno de los tres, los otros dos vendrían en su defensa. No era una alianza que garantizara apoyo ante planes de agresión, y Roosevelt tenía bajo un cerco a los japoneses, que habían ocupado la Manchuria, después de históricos intentos de ocupar China. Desde 4 000 millas de distancia, el Presidente norteamericano dio un ultimátum a los japoneses: salgan de China. “Si no se van de ahí, no le vendemos más chatarra y le cortamos la bencina”, en particular el combustible que Japón necesitaba para sus aviones y sus buques de guerra.

«La reacción de Japón fue lógica, dar un gran golpe que pusiera a los norteamericanos a pensar por un rato en otra cosa que no fuera China. Atacarían y hundirían la flota estadounidense en Pearl Harbor. Creían que los Estados Unidos tardarían más de un año en construir otra flotilla. Ellos podrían entonces ir hacia el sur, a Java y a Sumatra, y tomar los campos petroleros holandeses, Singapur, Malasia y todo lo que apareciera por el camino. Japón no tenía idea de la velocidad en que podíamos rearmarnos. Roosevelt sí lo sabía. Fuimos una gran potencia industrial -cosa que ya no somos. Las primeras señales de ese poder habían sido los automóviles ensamblados en línea y las plantas de acero. Podíamos hacerlo todo muy rápido. Sacamos miles de bombarderos B-17, verdaderas fortalezas volantes que ganaron la Segunda Guerra Mundial para los Estados Unidos».

-Usted fue un observador privilegiado de ese período previo a la guerra.

-Yo me crié en Washington D.C. en la época del gobierno de Roosevelt, que salió elegido cuatro veces como Presidente -toda una marca. Recuerdo los largos recesos del verano en esa edad dorada. El calor era tan grande que el gobierno entero se iba de la ciudad. No hemos tenido tanta paz y prosperidad desde que el gobierno de los Estados Unidos se iba de vacaciones. En los años 40, el desempleo se acabó. Franklin Delano Roosevelt era ambicioso e imperial pero sacó al país de la depresión económica. Todos estaban contentos por primera vez en años y el Presidente aprovechó la coyuntura para invertir 8 mil millones de dólares en el rearme de los Estados Unidos. Nos pusimos directamente en el camino de construir la más grande máquina de guerra del planeta, que luego se convirtió en nuestra maldición.

-Culpa a Harry Truman de convertir a los EE.UU. en el país totalitario que hoy es, una opinión que no parecen compartir muchos norteamericanos. George W. Bush acaba de decir, por ejemplo, que el hombre que lanzó las bombas sobre Hiroshima y Nagasaki fue un buen Presidente.

-Recuerde algo: la mayoría de los norteamericanos no tienen información sobre la historia, la geografía y lo que pasa en el mundo. Roosevelt hizo todos los arreglos para que pudiéramos arrancarles las colonias a Francia, Holanda y Portugal, después de la Segunda Guerra Mundial. Los estadounidenses todavía no se han enterado de esto. Lo que saben de Truman es que era un hombre pequeñito y bonachón, que tocaba el piano. No sabía nada de nada. Detrás de él estaba un Príncipe Metternich, el secretario de Estado Dean Acheson, abogado internacional que sabía de todo. Fue él quien diseñó el estado militarizado que emergió a partir de 1949 con Harry Truman, con la CIA incluida. Todo giró en torno a un documento: el Memorando número 68 de 1950, del Consejo de Seguridad Nacional, que se mantuvo secreto hasta 1975 y resolvía estar perennemente en guerra contra alguien. Íbamos a luchar contra el comunismo donde quiera que se encontrara sobre la Tierra, aunque este no nos amenazara. Establecía de facto una guerra santa, como la que ahora tenemos contra el terrorismo y el Islam, igual de estúpida e igual de irrelevante.

«Pero fíjese qué ironías tiene la historia norteamericana. El hombre que debió haber tomado la presidencia en 1945 era Henry Wallace, un hombre opuesto a la Guerra Fría, que fue vicepresidente con Roosevelt. Sin embargo, este sustituyó a Wallace en la vicepresidencia por Harry Truman, un hombre salido de la nada, un derechista sureño de Missouri, que tomaría finalmente el poder, cuando muere Roosevelt el 12 de abril de 1945.

«De modo que terminamos con un terrible presidente al frente del gobierno. Era tan malo que lo convirtieron en un ídolo. Todos los ignorantes admiran a Harry Truman, y no saben por qué. Él terminó con la República y nos colocó en esta ola de conquista. Truman le gritaba a la gente que la Unión Soviética estaba avanzando. Que estaban a punto de tomar Grecia y que inmediatamente después iban a Italia, y entonces a Francia, y luego cruzarían el Atlántico. Escuchamos los ecos de Truman en este pequeño hombrecito de ahora, el señor Bush quien dice (imitándolo): “Tenemos que luchar contra ellos allá, o de lo contrario tendremos que combatirlos a ellos aquí…”. Y tales enemigos no tienen manera de llegar a los Estados Unidos para empezar una guerra. Pero ningún estadounidense puede poner en duda semejante delirio, sin que le pongan la etiqueta de anti-patriota o de tonto».

-«El atentado terrorista ocurrido en Oklahoma en 1995 se explica según leyes de la Física: no hay acción sin reacción». Son sus palabras. Aludía al odio que ha sembrado Estados Unidos en el mundo y en su propio país. ¿Era una profecía?

-No conectaría este hecho con lo que ocurrió el 11 de Septiembre, al menos no directamente. Sabemos ahora que Timothy McVeigh no estaba solo, que había más gente involucrada. La administración Clinton -un gobierno muy norteamericano en el mejor sentido de la palabra- redactó regulaciones dacronianas sobre el terrorismo, simplemente para exorcizar el fantasma de Timothy McVeigh. Cuando ocurrió el atentado del 11 de Septiembre, sacaron de la gaveta estos papeles y los activaron todos. Esa es la Ley Patriota, que prácticamente ha anulado todas nuestras sagradas libertades.

«Hasta un niño de cinco años podría darse cuenta de que la solución a los ataques terroristas es simplemente policial. Fuimos atacados por una mafia. No puedes tener una guerra sin un país contrincante. Trate usted de explicar esto a los estadounidenses: ni siquiera saben lo que es un país. Han logrado que el 80 por ciento de ellos todavía no se haya enterado de que Saddam Hussein no es precisamente el mejor amigo de Osama Bin Laden. Creen que funcionan como una misma persona y que ambos nos atacaron el 11 de Septiembre. Todo es una gran bobería. No había conexión ninguna entre Saddam y Bin Laden, pero Bush quería completar el trabajo de su padre y mostrar que él era el más audaz de los dos. Quería ser recordado como el “Bush de Bagdad”, algo así como un Lawrence de Arabia».

-Esta semana, una encuesta de CBS registraba que el 75 por ciento de los estadounidenses desaprueban la gestión del gobierno en Iraq, mientras bajaba a niveles históricos el índice de aceptación del Presidente. ¿Será Bush el mandatario más odiado de la historia de Estados Unidos?

-Cuando dije que no era profeta, eso no quiere decir que no puedo de vez en cuando adivinar lo que va a suceder. Los neo-conservadores -la palabra que se utilizaba antes para referirse a ellos era fascista- querían todo el poder para que la Junta de Gas y Petróleo tuviera las manos libres y así enriquecer más a sus corporaciones y manipular la Constitución, a tal punto que esta no tenga sentido. Querían el poder supremo y lo tuvieron, con otra circunstancia a su favor: nosotros elegimos un Presidente inofensivo para ellos; un verdadero tonto, literalmente un tonto.

«Si el pueblo estadounidense hubiera tenido una verdadera prensa libre y unos medios de comunicación alertas, jamás este hombre habría sido electo. Es un ser incompetente. Ya tuvimos muchos presidentes bobos, pero Bush ni siquiera sabe leer bien. Al menos en esto es representativo. Lo escuchas hablar por diez minutos y es claro que no sabe lo que está diciendo. Está desesperado tratando de seguir las líneas del teleprompter. Sin alguno de sus consejeros al lado, no puede responder preguntas.

«Desde que Woodrow Wilson dejó el despacho oval en 1921, ningún presidente ha escrito sus propios discursos. El presidente lee lo que otros escriben. A veces está de acuerdo; a veces, no. Eisenhower leía sus discursos haciendo todo un descubrimiento. Durante su primera campaña electoral, el país se quedó asombrado cuando él, a mitad del discurso, dijo: “y si resulto elegido, iré a… ¡¿Corea?!” Estaba furioso. Nadie la había comentado nada antes de aquella promesa. Pero de todas formas, fue a Corea.

«Si tuviéramos unos medios de prensa interesados en la República y no en las ganancias, la historia habría sido diferente. Hay alguna esperanza. Después de todo Albert Gore ganó la elección en el 2000 por el voto popular, con 600 000 votos más que Bush. La intervención de la Corte Suprema y el truco en el conteo de los votos falsificaron el resultado de las elecciones. Nos convertimos de la noche a la mañana en una república bananera, sin bananas que vender. Ese es nuestro mayor problema ahora».

-Recientemente, Fidel afirmó que el gobierno de Bush ha conducido a su país «a un desastre de tal magnitud que, casi con seguridad, el propio pueblo norteamericano no le permitará concluir su mandato presidencial». ¿Lo cree usted?

-No me extrañaría. La administración Bush es tan extremista y hay gente ahí con las mentes tan vacías que serían capaces de comenzar a bombardear a Rusia, a Irán…, simplemente para desviar la atención de la otra guerra y para que el gobierno no se desmorone antes de tiempo. Ellos son expertos en fabricar los pretextos para crear el pánico.

«Dos días después del 11 de Septiembre alguien en el gobierno dijo: “el problema no es si atacarán de nuevo, sino cuándo”. Ahí fue donde comenzó toda esta tontería. Cuando les recordamos que han pasado ya cinco años y no nos atacan, responden: “¡es por las precauciones que hemos tomado en los aeropuertos!” Y dicen (Gore Vidal con expresión y voz de terror): “…tampoco a nosotros nos gustan estas precauciones, porque tenemos que quitarnos los zapatos en el aeropuerto. ¡Pero son esas medidas las que nos han salvado de los ataques!” Bueno, si es así, pruébelo. “¡Es que no lo podemos probar sin revelar nuestras fuentes secretas!”, responden. Es un círculo vicioso.

«Espero que los demócratas que ahora toman posiciones de presidentes de comités legislativos, especialmente el judicial, lleven a estos generales al Congreso, los pongan bajo juramento y los hagan responder seriamente nuestras preguntas.»

-¿Qué es necesario para restaurar la República?

-Recuperar la gran advertencia de Franklin Delano Roosevelt, nuestro mejor presidente, en el discurso inaugural de su mandato, cuando el país colapsaba, el dinero escaseaba y los bancos quebraban. Él dijo (imita a Roosevelt): “We have nothing to fear but fear itself” (No tenemos nada que temer, salvo al propio miedo.) Esa es la base de nuestra República. Le diría al pueblo norteamericano: no te dejes engañar por el miedo. Hay mucha gente en los Estados Unidos que gana dinero gracias al temor. Ese es su trabajo: asustarte.

«No estoy a favor de una revolución violenta ahora, porque suelen traer lo opuesto de lo que buscaban. La Revolución francesa le dio al mundo a Napoleón Bonaparte y Luis XVI no era tan malo como él. Pero creo que en los Estados Unidos vamos a tener una debido al colapso económico.
«En estos días uno de los grandes titulares decía que el ejército le rogaba al gobierno que le diera dinero. ¡No tienen suficiente dinero para seguir haciendo el ridículo en Bagdad! Van a recaudar el dinero como sea, y no a costa de los ricos. Los ricos no tienen la obligación de pagar impuestos. Tampoco las corporaciones. Antiguamente el 50 por ciento de los ingresos de los Estados Unidos venían de los impuestos a las ganancias corporativas. Ahora pagan menos del 8 por ciento. Han liberado a todos sus amigos ricos de pagar impuestos para que hagan donaciones al Partido Republicano, con el compromiso de que éste seguirá diciendo mentiras al país y certifique que los patriotas son traidores. Ha sido un magnífico truco desde el punto de vista económico para ellos, pero un malísimo plan para nosotros, los estadounidenses. Y no nos gusta. Perdimos el Bill of Rights (Carta de los Derechos fundamentales) y la Carta Magna, en la cual se sustentaron todas nuestras libertades por más de 700 años. No, no ha sido esta ni será una época divertida».

TENEMOS UNA CRISIS DE DERECHO

-En sus memorias ha contado que John Kennedy le habló de los planes de la CIA para asesinar a Fidel y que la relación con los cubanos extremistas se convirtió en una pesadilla para él y para su hermano Robert. ¿Están vinculados estos grupos en la muerte de los dos hermanos?

-Jack (John) Kennedy perdió su vida por eso. Hay evidencias de que el asesinato de Kennedy lo cometió la mafia de Nueva Orleans y que en el crimen de Dallas estuvo involucrado un hombre llamado Carlos Marcello, que también trató de matar a Bobby Kennedy. Marcello fue un capo de los casinos en La Habana, amigo de Meyer Lansky y Santos Trafficante, que manejaba la mafia en Tampa, Florida. En una grabación del FBI, Trafficante dice: «Tenemos que deshacernos de Bobby». Marcello le dijo en septiembre de 1962 al investigador privado Edward Becker que un perro continuaría mordiéndote si le cortas su cola (refiriéndose al Procurador General de la República, Robert Kennedy), mientras que si le cortas la cabeza al perro (el Presidente John Kennedy) dejaría inmediatamente de molestar. Fue la sentencia de muerte para Jack. Robert Kennedy nunca investigó la muerte de su hermano por temor a verse involucrado en turbios asuntos en los que estaban entrelazados los cubanos de Batista y la mafia.

-¿Qué influencia cree que han tenido los cubano-americanos de Miami en las decisiones del gobierno norteamericano en los últimos 40 años?

-Ellos llegaron a tener una enorme influencia en el país, y creo que esta es mucho menor ahora. Desde el principio, la Florida ha sido muy corrupta, desde los días de la Confederación. Si a eso le añades un montón de enojados seguidores de Batista, la situación allá empeoró con gente que tenía mucho dinero o se hicieron de muchísimo dinero. Se podía contar con ellos para apoyar cualquier cosa que sirviera para odiar más al Presidente Castro y para odiar lo que se estaba haciendo en la Cuba moderna.

«La Florida es un lugar perfectamente situado para que recale ahí cualquier demagogo que busque el apoyo de gente con mentalidad batistiana o de cualquiera que quiera luchar contra el comunismo. Los norteamericanos no están preparados para entender que han recibido por décadas una información distorsionada de su propio gobierno y de los medios que trabajan con el gobierno. Por eso, la Florida es uno de de los primeros lugares a donde van los candidatos a buscar votos. Es menor ahora la influencia de estos grupos extremistas, pero los neoconservadores saben que pueden contar con ellos.

«La Florida es un estado grande, un estado clave, con colegio electoral, que a veces decide las elecciones. A eso se suma la complicada maquinaria del siglo XVIII, que nos impide tener una democracia. A nuestros próceres no les gustaba la democracia. No me canso de repetir eso, y nadie me escucha, porque la prioridad es que le llevemos la “democracia” a Iraq y a todos los pobres países que la añoran».

-¿Está al tanto del caso de los cinco cubanos presos en Estados Unidos, por informar al gobierno de la Isla de planes terroristas en el sur de la Florida?

-Conozco el caso a través de los abogados, pero no por lo medios. Parece ser otra de las cosas idiotas que está haciendo nuestro gobierno. Tengo entendido que el Presidente Clinton y el Presidente Castro intercambiaron mensajes para detener a los terroristas de Miami, que habían puesto bombas en hoteles y en oficinas que enviaban turistas a la Isla. Los dos presidentes estaban de acuerdo con que esta situación debía ser detenida. Clinton le pidió al FBI que viniera a Cuba y Castro estuvo de acuerdo con eso. En vez de apresar a los terroristas, el FBI arrestó a los cubanos.

«Nos encanta encarcelar a la gente, tanto como nos gusta la pena de muerte. Es la estrella más brillante de nuestra diadema. Tenemos un país loco por la tortura, por el asesinato, por las ejecuciones, por las sentencias a cadena perpetua. Es una mentalidad perversa, que está en el trasfondo del puritanismo protestante. Todos tienen que sufrir, si han pecado. Pero si uno es rico, Dios te ama. Esa es la prueba. Si uno es pobre, no le caes bien a Dios. Esa es la prueba. Semejante forma de pensar no es saludable para nadie, y en el estado de la Florida hay muchas personas que piensan así, además de los que llegaron con Batista.

«Así que los Cinco -”The Cuban Five”, que es como se les conoce en los círculos legales de los Estados Unidos- están presos, cumpliendo cadenas que parecen eternas por haber obedecido a dos presidentes: uno de aquí, de la Isla, y otro, de Estados Unidos. Dos Presidentes que quisieron evitar que terroristas locos siguieran poniendo bombas y matando a civiles inocentes.

«La Junta que los apresó y los condenó, lo hizo sabiendo muy bien las consecuencias. La Junta de Gas y Petróleo Bush-Cheney no es tan estúpida como parece. Hace cosas malvadas, porque es así como mantiene todo bajo control. No creas que no aprendieron de las dictaduras del siglo XX. El caso de los Cinco es una prueba más de que tenemos una crisis de derecho, una crisis política y una crisis constitucional.

-Oliver Stone ha sido sancionado por el Departamento del Tesoro de Estados Unidos por violar el bloqueo contra Cuba. Su delito es haber viajado a la Isla para realizar sus dos documentales sobre Fidel. ¿Es constitucional este tipo de medidas?

-Por supuesto que no. Es una violación. Pero el 11 de Septiembre hubo un golpe de Estado en los EE.UU., el primero en nuestra historia. Un golpe en el cual un grupo de gente deshonesta de una Junta petrolera usurpó el poder del Estado y tiró abajo el Congreso. Es un hecho único y los detalles conformarán algún día una gran historia. Esto es algo que el pueblo no acaba de comprender, porque los norteamericanos tienen una mentalidad muy simple: lo que no conocen o no han visto previamente, no existe. Bueno, lo viven ahora in situ, pero lo descubrirán algún día como arqueólogos y no será nada agradable. Las sanciones contra los norteamericanos que quieren una relación normal con Cuba son hijas de estas circunstancias. Pero Oliver Stone -y cualquier otro ciudadano norteamericano- tiene todo el derecho de hacer cualquier película que quiera en cualquier circunstancia, mientras no haya violado ninguna ley. Es su derecho constitucional. Él no ha violado la ley. Lo que ocurre es que a la Junta no le gusta lo que él hace: ¡oh, my goodness! (¡Oh, Dios mío!)

-¿Teme que pueda haber alguna represalia contra usted?

-Suelo estar preparado para que no guste nada de lo que haga, diga o escriba sobre ese gobierno.

-Lleva usted varios días en La Habana. ¿Es Cuba la Isla satánica que la prensa y los políticos muestran a los norteamericanos?

-¿Estás loca? ¡No! Nos dicen siempre que los cubanos detestan estar aquí. Que todos se mueren de hambre. Sacan esos cuentos que dicen que los hospitales son terribles y que nadie acude a ellos. Que los cubanos que se enferman van a la clínica Mayo en Estados Unidos. No hay mentira que nuestro gobierno no nos cuente cuando habla de Cuba. En Estados Unidos, la mentira es la lengua franca de la nación.

«¿Sabe por qué voy a la televisión? Porque siento que habrá alguien que me vea y me escuche y al que le puedo hablar de lo que he visto, sin intermediarios tendenciosos. Puedo hablarles, por ejemplo, de los maravillosos planes médicos de Cuba. Visité una escuela de medicina, que se dedica a preparar médicos de muchos países para que brinden servicios comunitarios a los pobres, algo que el sistema estadounidense odia. La Medicina en Estados Unidos se aprende para agarrar todo el dinero que puedas y fugarte a Tahití, o a otro lugar de vacaciones, y olvidarte de la gente que sufre.

«Estuve conversando con 8 o 9 norteamericanos de Nueva York y Massachussets, que estudian Medicina en Cuba. Les pregunté si la preparación que recibían era tan buena como me habían dicho, y me respondieron que sí, que es mejor que cualquiera que pudieran obtener en EE.UU. ¿Por qué no hacemos nosotros lo mismo por nuestra gente y por la salud de otros pueblos? Los médicos cubanos están en los lugares más olvidados, desde África hasta la jungla amazónica. Solamente si reponemos la Constitución, podríamos tener un país con aspiraciones y con éxitos como los de Cuba. No crea que no me siento celoso como norteamericano con lo que he visto en Cuba. Yo soy un gran patriota y tengo celos».

-¿Volverá?

-Jamás hago predicciones.

fim 


Um passo histórico para a integração continental


Entrada da Venezuela torna Mercosul a quinta maior economia do mundo. Presidentes do bloco exaltam o ingresso. Segundo Dilma, inicia-se uma nova etapa. “Considerando os 4 países mais ricos do mundo, EUA, China, Alemanha e Japão, o Mercosul somado é a 5° força”, destacou. Para Chávez, Venezuela tem sua maior oportunidade em 200 anos.

Por Vinicius Mansur, no Carta Maior
Data: 01/08/2012



Brasília - No exercício da presidência pro tempore do Mercosul até dezembro deste ano, coube ao Brasil coordenar a cúpula extraordinária do bloco, nesta terça-feira (31), que celebrou a entrada de seu quinto membro, a Venezuela. “Estamos conscientes que o Mercosul inicia uma nova etapa”, disse Dilma Rousseff.

A presidenta afirmou que a entrada venezuelana tem significado histórico por marcar a primeira ampliação do bloco desde a sua criação em 1991, por estendê-lo da Patagônia até o Caribe e por incrementar a economia do Mercosul. “Considerando os 4 países mais ricos do mundo, EUA, China, Alemanha e Japão, o Mercosul somado é a 5° força”, destacou.

De acordo com dados do Itamaraty, entre 2001 e 2010, o comércio da Venezuela com os países do Mercosul aumentou mais de 7 vezes, passando de cerca de US$ 1 bilhão para US$ 7,5 bilhões. Com a entrada do país caribenho, o Mercosul representatá 70% da população da América do Sul (270 milhões de habitantes), 83,2% de seu PIB (US$ 3,3 trilhões) e 72% de seu território (12,7 milhões de km²).

Para o presidente venezuelano, Hugo Chávez, a entrada de seu país no Mercosul o fazia recordar a primeira eleição de Lula à presidência do Brasil, pois ambos episódios “aceleraram a história” e marcaram um novo período de integração entre os países do continente. Em sua chegada a Brasília, inclusive, Chávez, havia afirmado que gostaria de ver o Mercosul englobando mais países, como Equador e Bolívia.

Do ponto de vista econômico, Chavéz disse que a entrada da Venezuela no Mercosul significa “a maior oportunidade histórica que em 2o0 anos apareceu no horizonte”, sobretudo para ajudá-los em um de seus grandes objetivos: diversificar o modelo econômico extremamente dependente do petróleo e “imposto durante todo o século XX”. “Não houve um só governo que tivesse pretendido de alguma maneira desenvolver um projeto nacional, independente, que não fosse derrubado. Todos foram, incluindo o nosso, só que por três dias, graças a resposta popular e das Forças Armadas”, sustentou.

Em um discurso profundo, o presidente do Uruguai, José Mujica, recordou a mentalidade colonial que orientou a política externa dos países da América do Sul durante séculos e a dívida social dela advinda. “Esse é o preço que pagamos ao longo de nossa história porque vivemos muito tempo olhando para o resto rico e sem olharmos entre nós”. Mas, chamou atenção para o momento especial vivido na região. ”Existe vontade política de integração, como nunca teve globalmente a América do Sul. Eu repito: como nunca teve! (...) E temos que ser conscientes: agora ou nunca!”, orientou.

Exemplificando a fala de Mujica, a presidenta argentina, Cristina Kirchner, recordou que em seu país um chanceler dizia “para que ser sócio dos pobres podendo ser sócio dos ricos?”. Para evitar retrocessos e para proteger-se da crise economia internacional, Cristina apontou como tarefa urgentea criação de instrumentos e instituições “que tornem indestrutíveis e indivisíveis esse novo pólo de poder” configurado no Mercosul.

Paraguai
Durante seu discurso na Cúpula, Dilma ratificou que a suspensão do Paraguai se deu exclusivamente pelo “compromisso inequívoco com a democracia” e que as possibilidades de retaliações econômicas que possam causar prejuízo ao povo paraguaio estão afastadas. A presidenta disse ainda que espera que o país normalize sua situação institucional interna para assim reaver seus direitos plenos.

Acordos
Ainda nessa terça-feira (31), alguns acordos bilaterais e negócios foram firmados. Entre eles está a venda de seis jatos modelo 190, por US$ 270 milhões, pela Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) para o Consórcio Venezuelano de Indústrias Aeronáuticas (Conviasa). O contrato prevê ainda a opção de compra pela estatal venezuelana de mais 14 aeronaves, chegando a um preço total de US$ 900 milhões.

Já a Argentina assinou com a Venezuela um compromisso de aliança estratégica entre as petrolíferas YPF e PDVSA. Sem maiores detalhes, Chávez afirmou que o acordo permitirá a YPF explorar as jazidas venezuelanas da Faixa do Orinoco e permitir que a PDVSA continue com sua presença na Argentina.

FIM

terça-feira, 31 de julho de 2012

O julgamento na imprensa



Por JANIO DE FREITAS

SE HÁ CONTRA OS RÉUS INDUÇÃO DE ANIMOSIDADE, A RESPOSTA PREVISTA SÓ PODE SER A EXPECTATIVA DE CONDENAÇÕES

O julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal é desnecessário. Entre a insinuação mal disfarçada e a condenação explícita, a massa de reportagens e comentários lançados agora, sobre o mensalão, contém uma evidência condenatória que equivale à dispensa dos magistrados e das leis a que devem servir os seus saberes.

Os trabalhos jornalísticos com esforço de equilíbrio estão em minoria quase comovente.
Na hipótese mais complacente com a imprensa, aí considerados também o rádio e a TV, o sentido e a massa de reportagens e comentários resulta em pressão forte, com duas direções.

Uma, sobre o Supremo. Sobre a liberdade dos magistrados de exercerem sua concepção de justiça, sem influências, inconscientes mesmo, de fatores externos ao julgamento, qualquer que seja.

Essa é a condição que os regimes autoritários negam aos magistrados e a democracia lhes oferece.

Dicotomia que permite pesar e medir o quanto há de apego à democracia em determinados modos de tratar o julgamento do mensalão, seus réus e até o papel da defesa.

O outro rumo da pressão é, claro, a opinião pública que se forma sob as influências do que lhe ofereçam os meios de comunicação.
Se há indução de animosidade contra os réus e os advogados, na hora de um julgamento, a resposta prevista só pode ser a expectativa de condenações a granel e, no resultado alternativo, decepção exaltada. Com a consequência de louvação ou de repulsa à instituição judicial.

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, reforça o sentido das reportagens e dos comentários mais numerosos, ao achar que "o mensalão é o maior escândalo da história" -do Brasil, subentende-se.

O procurador-geral há de ter lido, ao menos isso, sobre o escândalo arquitetado pelo brilho agitador de Carlos Lacerda em 1954, que levou à República do Galeão, constituída por oficiais da FAB, e ao golpe iniciado contra Getúlio Vargas e interrompido à custa da vida do presidente.

Foi um escândalo de alegada corrupção que pôs multidões na rua contra Getúlio vivo e as fez retornar à rua, em lágrimas, por Getúlio morto.

Como desdobramento, uma série de tentativas de golpes militares e dois golpes consumados em 1955.

O procurador Roberto Gurgel não precisou ler sobre o escândalo de corrupção que levou multidões à rua contra Fernando Collor e, caso único na República, ao impeachment de um presidente. Nem esse episódio de corrupção foi escândalo maior?

E atenção, para não dizer, depois, que não recebemos a advertência de um certo e incerto historiador, em artigo publicado no Rio: "Vivemos um dos momentos mais difíceis da história republicana".

Dois inícios de guerra civil em 1930 e 1932, insurreição militar-comunista em 1935, golpe integralista abortado em 1937, levante gaúcho de defesa da legalidade em 1961, dezenas de tentativas e de golpes militares desde a década de 1920.

E agora, à espera do julgamento do mensalão, é que "vivemos um dos momentos mais difíceis da história republicana".

(FIM)

domingo, 1 de julho de 2012

Vivendo no fim dos tempos: o Apocalipse segundo Zizek





Em seu novo livro, "Vivendo no fim dos tempos" (Boitempo Editorial), Slavoj Zizek defende que o capitalismo global está se aproximando rapidamente da sua crise final. Ele identifica os quatro cavaleiros deste apocalipse: a crise ecológica, as consequências da revolução biogenética, os desequilíbrios do próprio sistema (problemas de propriedade intelectual, a luta vindoura por matérias-primas, comida e água) e o crescimento explosivo de divisões e exclusões sociais. Zizek apresenta sua obra como "parte da luta contra aqueles que estão no poder em geral, contra sua autoridade, contra a ordem global e contra a mistificação ideológica que os sustenta".

Não deveria haver mais nenhuma dúvida: o capitalismo global está se aproximando rapidamente da sua crise final. Slavoj Žižek identifica neste livro os quatro cavaleiros deste apocalipse: a crise ecológica, as consequências da revolução biogenética, os desequilíbrios do próprio sistema (problemas de propriedade intelectual, a luta vindoura por matérias-primas, comida e água) e o crescimento explosivo de divisões e exclusões sociais. E pergunta: se o fim do capitalismo parece para muitos o fim do mundo, como é possível para a sociedade ocidental enfrentar o fim dos tempos?

Para explicar porque estaríamos tentando desesperadamente evitar essa verdade, mesmo que os sinais da “grande desordem sob o céu” sejam abundantes em todos os campos, Žižek recorre a um guia inesperado: o famoso esquema de cinco estágios da perda pessoal catastrófica (doença terminal, desemprego, morte de entes queridos, divórcio, vício em drogas) proposto pela psiquiatra suíça Elisabeth Kübler-Ross, cuja teoria enfatiza também que esses estágios não aparecem necessariamente nessa ordem nem são todos vividos pelos pacientes.

De acordo com Žižek, podemos distinguir os mesmos cinco padrões no modo como nossa consciência social trata o apocalipse vindouro. “A primeira reação é a negação ideológica de qualquer ‘desordem sob o céu’; a segunda aparece nas explosões de raiva contra as injustiças da nova ordem mundial; seguem-se tentativas de barganhar (‘Se mudarmos aqui e ali, a vida talvez possa continuar como antes...’); quando a barganha fracassa, instalam-se a depressão e o afastamento; finalmente, depois de passar pelo ponto zero, não vemos mais as coisas como ameaças, mas como uma oportunidade de recomeçar. Ou, como Mao Tsé-Tung coloca: ‘Há uma grande desordem sob o céu, a situação é excelente’”.

Os cinco capítulos se referem a essas cinco posturas. 

O capítulo 1, “Negação”, analisa os modos predominantes de obscurecimento ideológico, desde os últimos campeões de bilheteria de Hollywood até o falso apocaliptismo (o obscurantismo da Nova Era, por exemplo). 

O capítulo 2, “Raiva”, examina os violentos protestos contra o sistema global, em especial a ascensão do fundamentalismo religioso. 

O capítulo 3, “Barganha”, trata da crítica da economia política, com um apelo à renovação desse ingrediente fundamental da teoria marxista. 

O capítulo 4, “Depressão”, descreve o impacto do colapso vindouro, principalmente em seus aspectos menos conhecidos, como o surgimento de novas formas de patologia subjetiva. 

E, por fim, o capítulo 5, “Aceitação”, distingue os sinais do surgimento da subjetividade emancipatória e procura os germes de uma cultura comunista em suas diversas formas, inclusive nas utopias literárias e outras.

Žižek é otimista quanto ao que pode surgir desse processo de emancipação e apresenta sua obra como parte da luta contra aqueles que estão no poder em geral, contra sua autoridade, contra a ordem global e contra a mistificação ideológica que os sustenta. Para ele, engajar-se nessa luta significa endossar a fórmula de Alain Badiou, para quem mais vale correr o risco e engajar-se num Evento-Verdade, mesmo que essa fidelidade termine em catástrofe, do que vegetar na sobrevivência hedonista-utilitária. Rejeita, assim, a ideologia liberal da vitimação, que leva a política a renunciar a todos os projetos positivos e buscar a opção menos pior.

Trecho do livro
“Essa virada na direção do entusiasmo emancipatório só acontece quando a verdade traumática não só é aceita de maneira distanciada, como também vivida por inteiro: ‘A verdade tem de ser vivida, e não ensinada. Prepara-te para a batalha!’. Como os famosos versos de Rilke (“Pois não há lugar que não te veja. Deves mudar tua vida”), esse trecho de O jogo das contas de vidro, de Hermann Hesse, só pode parecer um estranho non sequitur: se a Coisa me olha de todos os lados, por que isso me obriga a mudar? Por que não uma experiência mística despersonalizada, em que ‘saio de mim’ e me identifico com o olhar do outro? E, do mesmo modo, se é preciso viver a verdade, por que isso envolve luta? Por que não uma experiência íntima de meditação? 

Porque o estado ‘espontâneo’ da vida cotidiana é uma mentira vivida, de modo que é necessária uma luta contínua para escapar dessa mentira. O ponto de partida desse processo é nos apavorarmos com nós mesmos. 

Quando analisou o atraso da Alemanha em sua obra de juventude Crítica da filosofia do direito de Hegel, Marx fez uma observação sobre o vínculo entre vergonha, terror e coragem, raramente notada, mas fundamental:

É preciso tornar a pressão efetiva ainda maior, acrescentando a ela a consciência da pressão, e tornar a ignomínia ainda mais ignominiosa, tornando-a pública. É preciso retratar cada esfera da sociedade alemã como a partie honteuse [parte vergonhosa] da sociedade alemã, forçar essas relações petrificadas a dançar, entoando a elas sua própria melodia! É preciso ensinar o povo a se aterrorizar diante de si mesmo, a fim de nele incutir coragem.”


Sobre o autor
Slavoj Žižek nasceu em 1949 na cidade de Liubliana, Eslovênia. É filósofo, psicanalista e um dos principais teóricos contemporâneos. Transita por diversas áreas do conhecimento e, sob influência principalmente de Karl Marx e Jacques Lacan, efetua uma inovadora crítica cultural e política da pós‑modernidade. Professor da European Graduate School e do Instituto de Sociologia da Universidade de Liubliana, Žižek preside a Society for Theoretical Psychoanalysis, de Liubliana, e é diretor internacional do Instituto de Humanidades da Universidade Birkbeck de Londres. 

Vivendo no fim dos tempos é o seu sétimo livro traduzido pela Boitempo. Dele, a editora também publicou Bem‑vindo ao deserto do Real!, em 2003, Às portas da revolução (escritos de Lenin de 1917), em 2005, A visão em paralaxe, em 2008, Lacrimae Rerum, em 2009, Em defesa das causas perdidas e Primeiro como tragédia, depois como farsa, os dois últimos em 2011.


Ficha técnica
Título: Vivendo no fim dos tempos
Título original: Living in the end times
Autor: Slavoj Žižek
Tradução: Maria Beatriz de Medina
Orelha: Emir Sader
Páginas: 368
ISBN: 978-85-7559-212-0
Preço: R$ 52,00
Editora: Boitempo

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Há diferença fundamental entre os golpes de Honduras e Paraguai?

Por Breno Altman


 A resposta a essa pergunta pode ser dada de bate-pronto: nenhuma. Ao menos no que diz respeito à sua natureza política. Nos dois casos, a derrocada de um presidente constitucional ocorreu através de processo sumário e operado pela via das instituições. Em ambas situações, esse modelo foi possível porque havia uma crise de poder nascida de uma mudança política incompleta: a conquista do governo pelos setores progressistas não se fez acompanhar por uma maioria parlamentar de esquerda e por reformas no sistema judiciário. Essa contradição não é exclusiva de Honduras e Paraguai.

O Brasil vive cenário bastante semelhante. O ápice desse conflito ocorreu em 2005, quando as forças conservadoras estiveram a poucos passos de apostarem no impedimento do presidente Lula. Faltou-lhes coragem e sobraram-lhes dúvidas sobre como reagiriam as ruas. As duas derrotas eleitorais, em 2006 e 2010, neutralizaram setores potencialmente golpistas e isolaram a direita mais açodada. Mas o pano de fundo continua o mesmo. Mesmo países nos quais hoje a transformação política já atingiu todas as esferas do Estado, como é o caso de Venezuela e Bolívia, viveram essa contradição em outras fases.

O golpe de Estado de 2002, contra Chávez, só foi possível quando a operação midiática dividiu as forças armadas e a base parlamentar governista, tirandou-lhe maioria na Assembléia Nacional. O boliviano Evo Morales, mesmo sem ter sido vitima de um golpe aberto, também viveu agruras parecidas. A lição dessas experiências é que não há caminho possível para romper esse conflito sem um forte apelo à mobilização social e à atuação firme dos segmentos que apoiam os governos progressistas. Manobras institucionais podem abrandar os efeitos dessa contradição, da mesma forma que a criação de maiorias táticas (como, aliás, houve em um certo período no Paraguai e há no Brasil). Mas dificilmente pode ser erradicada sem que o protagonismo das organizações populares empurre a direita para uma situação de cerco.

 Apenas depois de enfrentamentos desse gabarito Evo e Chavez, por exemplo, conquistaram amplas maiorias estratégicas para suas administrações. Além da mobilização exercer uma forte influência pedagógica sobre os cidadãos, geralmente acaba por empurrar as correntes reacionárias para aventuras fora do quadro constitucional. Quando fazem essa opção, em cenário de isolamento, são mais facilmente desmascaradas e demarcadas como inimigas atávicas dos processos democráticos. Por razões distintas, nem Manuel Zelaya nem Fernando Lugo quiseram ou puderam criar as condições para uma ampla mobilização popular em defesa de seus mandatos e da ordem constitucional quando os golpistas começaram a tecer seus planos.

O primeiro porque havia feito um rara passagem da oligarquia para o campo progressista, perdendo velhos amigos sem ganhar a confiança plena dos novos aliados. O segundo porque, eleito por uma coalização à esquerda, foi frustrando seus seguidores com concessões infindáveis, no afã de apaziguar as forças conservadoras. Perdeu antigos apoios e, de quebra, acabou derrubado por quem tentou cativar. Justiça seja feita, e aqui vai a primeira diferença importante, o fazendeiro Zelaya colocou seu chapelão e não se rendeu aos golpistas, comandando um longo processo de resistência. O padre Lugo, abatido e anêmico, foi para casa sem assumir a liderança do questionamento à ordem imposta pelos parlamentares sublevados. Começou a acenar com atos de resistência quando já havia aceito sua substituição ilegítima. Também há um traço de identidade nos interesses representados pelas coalizões oposicionistas das duas nações.

No epicentro da conspiração estão grupos de latifundiários e banqueiros, associados a empresas de comunicação, que rejeitam qualquer reforma voltada para a democratização da terra ou o controle dos mecanismos rentistas. Outra semelhança pode ser encontrada na postura dos Estados Unidos. Nos dois episódios, a Casa Branca impulsionou a mão de gato contra o voto popular. A princípio, com vários senões e cautelas. Depois, consumada a operação golpista, de forma escancarada. Aliás, já tinha feito o mesmo no putsch venezuelano e na tentativa de desestabilizar Evo. Não é preciso esforço para chegarmos à conclusão que o golpismo não pode ser tratado como peça de museu da Guerra Fria. Devidamente atualizada, essa alternativa continua presente no arsenal norte-americano contra as experiências progressistas da América Latina.

  Reação branda

Também de diferente, o que podemos registrar, ao compararmos Honduras e Paraguai, foi a atitude da diplomacia brasileira, que transitou do rechaço inegociável para uma posição de protesto. Os presidentes do Equador, da Argentina, da Venezuela e da Bolívia já disseram claramente que se tratou de um golpe de Estado e declararam que o novo governo não tem legitimidade. O Brasil, mesmo na nota na qual acena com sanções nos termos da cláusula democrática do Mercosul e da Unasul, não foi tão taxativo a respeito. Há informações de bastidores dando conta que Fernando Lugo cogitou recusar a passagem do cargo e dissolver o Congresso, mas teria se deparado com a negativa brasileira de dar apoio a esse tipo de reação.

Se assim ocorreu, trata-se de uma resposta distinta à adotada no golpe contra Zelaya. As razões para essa alteração ainda não estão claras. Uma das possibilidades é o receio de assistir Chile e Colômbia, governados por conservadores, se afastarem da Unasul. Outra possibilidade é a dúvida acerca da consistência da reação prometida pelo próprio Lugo, que ademais poderia transformá-lo de vítima em agressor. Os próximos passos do Itamaraty, no entanto, poderão esclarecer melhor se estamos apenas diante de inflexões circunstanciais ou de uma nova estratégia. Numa mirada mais abrangente, esta mudança de orientação, se verdadeira, residiria principalmente no modo de administrar as relações com Washington. Até a intentona em Assunção, poderiam ser notadas novas abordagens na política para o Oriente Médio, particularmente em relação à Síria, ao Irã e mesmo à intervenção da OTAN contra a Líbia de Kaddafi.

Com Lula e Amorim, de forma corajosa, o Brasil puxava um bloco contra-hegemônico, que desafiava abertamente os desígnios da superpotência. Hoje, as vezes, parece que esse objetivo saiu da agenda. Uma paradigma readaptado implicaria, também, num lidar distinto com as forças conservadoras quando essas se lançam em golpes institucionais. Eventualmente não por conta de um novo conceito, mas para evitar conflitos com governos fora do arco progressista e com os norte-americanos, além de prevenir exaltações internas com a mídia e as elites nacionais. Se há mesmo uma conduta diferenciada, essa acabou por sofrer, logo na estréia, inegável derrota, ao menos provisoriamente.

Os atores moderados ou conservadores podem estar mais satisfeitos com o tom adotado em relação ao golpe no Paraguai, mas o fato concreto é que os golpistas não deram ouvidos e um presidente aliado foi derrubado. Poderia ser dito que, no caso hondurenho, o Brasil tampouco viu sua política ser vitoriosa, pois Zelaya não voltou à Presidência. Isso também é verdade. Mas o país colheu frutos positivos, como líder regional, por sua firmeza em defesa da democracia. E conseguiu ists num país localizado em região onde a hegemonia dos Estados Unidos pontifica incontrastável. Já a pátria guarani é integrante do Mercosul e sob forte influência verde-amarela.

Aqui, ao contrário de Honduras, o Brasil tem meios de colocar a faca no pescoço dos golpistas. Se não tivermos êxito nisso, outros ensaios antidemocráticos poderão ter curso, na América do Sul ou mesmo dentro das fronteiras pátrias. Oxalá a aparente brandura brasileira seja apenas um momento. Afinal, a história não conhece golpes que tenham sido impedidos ou revertidos com punhos de renda. E salpica de exemplos sobre como a contemporização tem o dom de estimular o apetite fascista das oligarquias.

  FIM

Análise da queda de Lugo




Por JANIO DE FREITAS

Um dos seus compromissos eleitorais foi cumprido: não se pôs a serviço dos donos do ilegal Paraguai

A falta de explicação convincente por parte da repentina aliança parlamentar que derrubou Fernando Lugo tem, ela própria, explicação simples. E íntima das relações comerciais verdadeiras entre o Brasil e o Paraguai.

É óbvio que não foi o choque de lavradores e polícia o motivador, em apenas 30 horas, da união repentina dos congressistas paraguaios e da derrubada do presidente.

Polícia e lavradores são indígenas contra indígenas, situação historicamente incapaz de provocar qualquer comoção ou atitude no Congresso do Paraguai.

Fernando Lugo, muito pouco ativo quanto a muitos dos seus compromissos de campanha, cumpriu um deles sem concessão: não criou oportunidades para a corrupção e não fomentou a produção e o comércio ilícitos. Rompeu assim com a tradição das presidências locais e dos apoios parlamentares, sociais e judiciais que lhes permitem existir.

As fábricas de produtos falsificados estão, sem mascaramentos, na própria capital Assunção, como pelo Paraguai todo.

Os nossos carros roubados destinam-se, em grande parte, à receptação permitida e estimulada no Paraguai, onde podem trafegar mesmo com a placa brasileira. Os cigarros e tantos outros produtos brasileiros que chegam ao Paraguai beneficiados, no preço, pelas isenções para exportação, voltam ao Brasil como contrabando e enchem o comércio de rua e inúmeras lojas de nossas cidades.

O pequeno Paraguai é o maior centro conjunto de falsificação e comércio ilegal de produtos. Nos últimos anos, uma inovação constatada: com os produtos que transitam pelo Paraguai e entram no contrabando para o Brasil, muito da produção falsificada no próprio Paraguai traz o registro "made in China".

É incalculável o custo, para o Brasil, do contrabando e da receptação de carros e motos roubados aqui, o que está obrigando à criação de uma nova rede policial-militar de proteção da fronteira.

E ainda há o narcotráfico. A Bolívia e a Colômbia ficam com a culpa toda, mas o Paraguai não é menos fornecedor que ambas, com suas rotas de contrabando, e é provável que já seja o maior canal de entrada de drogas variadas.

O pequeno Paraguai é, proporcionalmente, o maior centro de receptação de roubo, produção de falsificados e contrabando. Com participação importante no narcotráfico.

No país de maioria tão pobre, quem possui e quem controla o sistema imenso dessas atividades ilegais? Quem pode fazê-lo sem preocupação alguma com problemas de ordem legal? E quem são os políticos, os congressistas desse país triste e infeliz?

Um dos seus compromissos com o eleitorado, Fernando Lugo cumpriu-o: não se pôs a serviço dos donos do ilegal Paraguai. À primeira oportunidade, caiu.


FIM

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Sobre a permanência de Neymar no Brasil

Sr. Mauro Beting: Seu artigo de hoje (11 de maio) na contracapa do jornal Lance (“Reiterando”) foi uma decepção. Estou com a impressão que vc também recebeu (como o Mano Menezes e outros) um “capilé”, uma “bufunfa”, um “agitório”, ou para vc entender, “dinheiro” de algum empresário interessado na venda do jogador santista para defender a ida de Neymar para fora do país. Uma vergonha! Outra coisa: seguindo o seu raciocínio, vc tem que parar de cobrir o futebol brasileiro e se dedicar exclusivamente com o fut lá fora para melhorar como “jornalista”. Abaixo o complexo de vira-lata que vc manifesta em seu artigo! Muitos profissionais, tanto do esporte quanto da imprensa, estão ganhando com a presença do Neymar no Brasil, pelo simples fato de seu talento despertar mais audiência, mais interesse, mais leitura de jornais… Para que perder tempo com o seu Palmeiras e outras porcarias aqui no Brasil? Vá embora, mude para a Europa. Vai ver o que é bom para tosse lá … (morei cinco anos na Itália e sei bem do que estou falando). Não fique aqui escrevendo besteiras (e ganhando dinheiro para isso!). (Por Edson Osvaldo Melo)

quarta-feira, 28 de março de 2012

Emir Sader: O golpe de 64 e a ditadura militar

Por Emir Sader

O Brasil não era um país feliz antes do golpe de 1964. Mas era um país que dava sequência a um ciclo longo de crescimento econômico, impulsionado por Getúlio, como reação à crise de 1929. Nos anos prévios ao golpe era um país que começava a acreditar em si mesmo. Quem toma com naturalidade agora a Copa do Mundo de 1958 não sabe o quanto ela foi importante para elevar a auto-estima dos brasileiros, que carregavam, desde o fatídico 16 de julho de 1950, o trauma do complexo de inferioridade.

Mas isso veio junto com a bossa nova, o cinema novo, o novo teatro brasileiro, um clima de expansão intelectual por grandes debates nacionais, pela articulação com grandes temas teóricos e culturais que começavam a preparar o clima da década de 1960.

O país não foi surpreendido pelo golpe. Desde o fim da Segunda Guerra Mundial militares que tinham ido à Italia se articulavam estreitamente com os EUA. Na sua volta, liderados por Golbery do Couto e Silva e por Humberto Castelo Branco, fundaram a Escola Superior de Guerra e passaram, a partir dali, a pregar os fundamentos da Doutrina de Segurança Nacional – concepção norteamericana para a guerra fria. A Doutrina de Segurança Nacional cruzou a história brasileira ao longo de toda a década de 1950 até, depois de várias tentativas, desembocar no golpe de 1964 que, não por acaso, teve naqueles oficiais da FFAA seus principais líderes.

Durante a década de 1950, o Clube Militar foi o antro a partir do qual articulavam golpes contra o Getúlio – seu inimigo fundamental, pelo nacionalismo e por suas políticas populares e articulação com o movimento sindical. O suicídio do Getúlio brecou um golpe pronto e permitiu as eleições de 1955, em que novamente os golpistas foram derrotados.

Fizeram duas intentonas militares fracassadas contra JK e elegeram Jânio, com a velha e surrada – mas sempre sobrevivente, até hoje – bandeira da corrupção. Se frustraram com a renúncia deste e naquele momento tentaram novo golpe, valendo-se do vazio da presidência e da ausência do Jango, em viagem para a China. A mobilização popular e a atitude do Brizola de levantar em armas o Rio Grande do Sul na defesa da legalidade impediram e adiaram o golpe.

Mas os planos golpistas não se detiveram e acabaram desembocando em primeiro de abril de 1964 no golpe, que contou com amplo processo de mobilizações da classe média contra o governo, com participação ativa da IgrejaC atólica, da mídia, das entidades empresariais, que desembocou na ação da alta oficialidade das FFAA, que liquidou a democracia que o Brasil vinha construindo e instaurou o regime do terror que passou a vigorar.

Foi o momento mais grave de virada regressiva da história brasileira. Interrompeu-se o processo de democratização social, de afirmação econômica e política do pais, para impor a opressão econômica e politica, a subordinação externa, mediante uma ditadura brutal. O país, sob o comando dos militares, da Doutrina de Segurança Nacional, do grande empresariado nacional e internacional, do governo dos EUA, optou por um caminho que aprofundou suas desigualdades sociais, colocando o acento no mercado externo e na esfera de alto consumo do mercado, no arrocho salarial, na desnacionalização da economia e na opressão militar.

Completam-se 48 anos do golpe militar. Continua sendo hora de perguntarmos a todos: Onde você estava no momento mais grave de enfrentamento entre democracia e ditadura? Cada um, cada força política, cada empresário, cada órgão da imprensa, cada igreja, cada militar. Os temas continuam atuais: denuncismo moralista a serviço do enfraquecimento do Estado, abertura escancarada da economia, resistência às políticas sociais e aos direitos do povo, uso da religião contra a democracia republicana e o caráter laico do Estado, uso da mídia como força política da direita, etc. etc.

Que seja, uma semana de reflexão e de ação política. Que o governo finalmente nomeie os membros da Comissão da Verdade e que não passemos mais um primeiro de abril sem apurar tudo o que o regime de terror impôs pela força das botas e das baionetas ao país e que a democracia faça triunfar a verdade.

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FIM

terça-feira, 27 de março de 2012

A questão capitalista



Por Wladimir Pomar

A atual crise mundial capitalista tem suscitado crescentes esperanças de que ela seja a fase terminal desse modo de produção e formação social. Não são poucos os socialistas, em especial europeus, que acham impossível que os países capitalistas a superem, e depositam suas esperanças nos novos movimentos sociais que emergiram nos Estados Unidos e na Europa.

Embora fosse ótimo que essas previsões se tornassem realidade, elas sofrem, em geral, do viés eurocentrista. Em geral, desprezam o fato de que a maior parte dos povos do mundo se encontra em países de desenvolvimento capitalista tardio, nos quais as forças produtivas ainda estão longe de esgotarem todas as possibilidades de evolução do modo de produção capitalista, seja sozinho, seja em combinação com outros modos de produção, inclusive estatais.

Temos assim, por um lado, novas oportunidades para as empresas capitalistas realizarem uma taxa média de lucro relativamente elevada, permitindo ao capitalismo, como sistema, uma sobrevida. Por outro, temos uma desindustrialização relativa dos países centrais, um aumento da concorrência inter-capitalista, e uma redução das transferências de riquezas que os países centrais arrancavam anteriormente dos países periféricos. Além disso, mais importante ainda para os socialistas, verificamos uma intensa recriação da classe operária nesses países, embora sejam poucos os analistas da esquerda que dêem a devida atenção a esse fenômeno.

Esse quadro geral e contraditório do desenvolvimento capitalista, seja em termos mundiais, seja em termos locais, impõe aos socialistas de cada país uma análise mais concreta das suas perspectivas. Eles não poderão contar, de imediato, com a incorporação das novas massas populacionais, oriundas tanto das zonas rurais, quanto das zonas urbanas favelizadas, à classe operária local. Ainda por algum tempo, como mostrou a experiência da industrialização no período da ditadura militar, no final dos anos 1960 e início dos anos 1970, essa nova classe operária se sentirá satisfeita com o desenvolvimento capitalista e com a possibilidade de receber salários e benefícios sociais.

Da mesma forma que a classe operária que surgiu no ABC naqueles anos, a nova classe operária da atualidade terá que aprender, com a própria vivência, o que é a exploração capitalista e como lutar contra ela. Para os socialistas brasileiros, por exemplo, essa situação talvez parecesse mais simples se eles não estivessem no governo. E, além disso, não fossem os principais incentivadores do próprio desenvolvimento capitalista, gerador de classe operária.

Esse fato novo parece ter virado um verdadeiro quebra-cabeça para uma série considerável de socialistas. Alguns acham que essa situação os colocou no céu desejado, já que melhoraram as taxas de emprego, a massa salarial, e outras condições sociais dos trabalhadores e camadas populares. Outros se sentem no pior dos mundos, consideram abominável que a esquerda no governo trate do desenvolvimento capitalista, e buscam uma nova teoria revolucionária que lhes possibilite mobilizar os movimentos sociais e empreender a revolução.

Ambos ignoram a nova classe operária. Não a consideram necessária para a teoria da revolução brasileira, e esquecem que essa classe é, do ponto de vista histórico e revolucionário, o produto mais importante do desenvolvimento capitalista das forças produtivas. Desse modo, a discussão sobre o desenvolvimento capitalista centra-se nas possibilidades do capitalismo poder promover ou não uma melhoria das condições de vida do povo, ser ou não dependente, segregar ou não as
camadas populares, contribuir ou não para a ampliação da democracia, e ser ou não um fator positivo para a soberania nacional.

Em nenhum país do mundo o capitalismo foi, por sua natureza, promotor do bem-estar, do desenvolvimento social e da democracia. Onde promoveu a independência tecnológica e financeira, e sua soberania nacional, foi para explorar outros países Todas as melhorias nas condições de vida e na ampliação dos direitos democráticos foram conquistas através de lutas, muitas delas sangrentas, da classe operária e demais camadas populares. As sociedades capitalistas de bem-estar social só surgiram após a revolução russa de 1917 e, mesmo assim, às custas da super-exploração dos povos dos países periféricos.

Nessas condições, em especial em países periféricos, como o Brasil ainda é, a questão capitalista precisa ser encarada, em primeiro lugar, como uma necessidade para a criação da classe que melhor tem condições de enfrentá-la. Se a esquerda socialista está no governo, e ainda não tem força para transformar o Estado, ela não pode abdicar da tarefa de apresar o desenvolvimento capitalista, por um lado garantindo que esse desenvolvimento forje uma classe operária massiva e, por outro, recriando e ampliando o setor estatal da economia, rompendo os oligopólios privados, incentivando a competição internacional, aprofundando a soberania nacional, impedindo a criminalização dos movimentos sociais e estimulando a participação popular no ampliação democrática.

Realizar essa tarefa não é fácil, principalmente se não há clareza sobre essas novas condições e desafios, seja porque são tomadas apenas em seu aspecto positivo, seja por serem consideradas incompatíveis com a natureza socialista. Se esse fosso de visões sobre a questão capitalista e, portanto, também sobre a questão socialista que surge dela, permanecer como na atualidade, talvez tenhamos que esperar que, como em 1978 no Brasil, a nova classe operária mostre a que veio, e realize uma nova unificação da esquerda. Ambos os lados talvez devessem analisar melhor nossa própria experiência histórica. Nas condições atuais, repetir os mesmos erros do passado já não será uma farsa, nem um drama.

http://pagina13.org.br/2012/03/a-questao-capitalista/

FIM

Pressão sobre Netanyahu está aumentando

          Faixa de Gaza: Ainda não há acordo no horizonte para uma trégua/Foto: Ansa Por Emanuele Valenti, Rádio Popolare di Milano, Itália ...