sábado, 29 de janeiro de 2011

Em encontro com blogueiros potiguares, Nicolelis fala sobre ciência, democracia, política e jornalismo



Por Alisson Almeida

O movimento dos Blogueiros Progressistas do Rio Grande do Norte recebeu, na noite desta sexta-feira (28), o neurocientista Miguel Nicolelis, professor da Universidade de Duke (EUA) e co-fundador do Instituto Internacional de Neurociência de Natal Edmond e Lilly Safra. O evento, realizado no auditório da Livraria Siciliano (Shopping Midway Mall), serviu como preparação para o 1º Encontro de Blogueiros Progressistas do RN, marcado para os dias 25, 26 e 27 de março.

O tema do bate-papo foi “Redes sociais, participação política e desenvolvimento da ciência”. Nicolelis iniciou dizendo que sua participação no evento demonstrava o poder dessas novas formas de comunicação. “Estou no Twitter há apenas 15 dias, mas já estou aqui para falar sobre redes sociais – mesmo sem saber nada sobre isso”, brincou, arrancando risos da plateia.

Em seguida, disse que o título da palestra poderia ser “Eu juro que eu sou eu”, fazendo referência ao debate travado com uma badalada blogueira potiguar, a quem teve que provar que seu recém-criado perfil no Twitter não era um fake. Nicolelis aproveitou o episódio como gancho para tratar da questão da identidade no contexto das redes sociais. Ele sustentou que o modelo de mundo que conhecemos, bem como nossa identidade, não passa de uma “simulação” do cérebro. Emendou dizendo que a “cultura do ‘eu’ é uma ilusão”. “Eu me defrontei com essa ilusão ao tentar provar que eu sou eu. Eu me engajei num debate com uma jornalista que foi uma das coisas mais fascinantes. Comecei a falar das minhas opiniões, primeiro sobre a política do RN, mas não funcionou”.

“Pare pra pensar: nós vivemos num mundo em que qualquer um pode ser eu, qualquer um pode assumir qualquer personalidade. O sucesso das redes sociais, em minha opinião de neurocientista, se deve, primeiro, a uma coisa que vou tratar no livro que será lançado no próximo mês. Daqui a algumas centenas de anos não vamos precisar disso aqui, teclado, celular… Nós vamos pensar e nos comunicar, nos amalgamar numa rede conscientemente sem a necessidade dessas coisas pouco eficientes, como os nossos dedos, os teclados… Nós já estamos observando, mesmo com os limites que temos, já vivemos os primórdios de uma sociedade onde a identidade real não faz diferença nenhuma”, discorreu.

O neurocientista destacou que as redes sociais “conseguiram fazer as identidades, às quais a gente se apegou tanto, desaparecerem”. “Você pode assumir o que você sempre quis ser, mas não podia por medo do preconceito. Nós ainda não conseguimos lidar com o fato que as pessoas são de diferentes matizes. As redes têm essa vantagem de permitir que as pessoas possam assumir [suas ideias] livremente”.

“Não existe isso de imparcialidade”

Após discorrer sobre as redes sociais e a dispersão da identidade, Nicolelis afirmou que a ideia da “imparcialidade”, tanto jornalística quanto científica, não passa de “balela”. “Como neurocientistas, estamos cansados de saber que não existe isso de imparcialidade, como pretendem os jornalistas. Não existe imparcialidade nem jornalística nem científica”.

Para comprovar sua sentença, relembrou a cobertura midiática das eleições presidenciais do ano passado, quando a imprensa tradicional, mesmo se dizendo “imparcial”, se alinhou à candidatura do candidato do PSDB/DEM, o ex-governador de São Paulo José Serra. “O que aconteceu no Brasil na eleição passada foi a demonstração da falácia de certos meios de imprensa e do partidarismo que invadiu essa opinião dita imparcial. Mas o desmentido só ocorreu nesse lugar capilarizado chamado blogosfera. A guerra da informação foi travada aí. A eleição foi ganha na trincheira da blogosfera, porque os desmentidos eram instantâneos”, comentou.

Nicolelis defendeu que a “teia” – termo que disse preferir usar para se referir às redes sociais – que está se formando no Brasil “é um fenômeno mundial de relevância fundamental”. Para ele, a blogosfera teve um papel de destaque nas eleições de 2010. “Essa teia já ganhou uma eleição do ponto de vista da informação, já derrotou o exército de uma mídia que tem opinião, mas que exerceu essa opinião sem dizer. Aí é que tá o engodo. A opinião é legítima, mas esconder que tem opinião não é”.
Miguel Nicolelis frisou que outro efeito provocado pelo surgimento dessa teia é o fato de considerar “inevitável a quebra do monopólio do conhecimento, da noticia e do fato”. “Cada um de nós pode ser o propagador de um fato, de uma interpretação do fato”.

Mesmo ressaltando sua condição de neófito, Nicolelis demonstrou entusiasmo com o potencial dessa “teia” desembocar no surgimento de um novo modelo de democracia, em que os indivíduos tenham um novo papel. “A democracia representativa é muito interessante, mas ela faliu, porque o grande objetivo dos representantes dos indivíduos do planeta é representar a si mesmo. Existe um potencial imenso de uma nova democracia, onde os indivíduos tenham um novo papel, em que possam ser agentes atuantes e definidores da nossa cidadania”.


FIM

Extraído do Paraná Blogs

http://paranablogs.wordpress.com/2011/01/29/em-encontro-com-blogueiros-potiguares-nicolelis-fala-sobre-ciencia-democracia-politica-e-jornalismo/

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

EUA: caldo de cultura fascista



Por Frei Betto

Caldo de cultura é quando fico atado a um videogame treinando matar figuras virtuais. Segundo a Newsweek, o videogame mais vendido nos EUA em 2010 foi o Grand Thief Auto 3 (O grande roubo de carros 3). O jogador progride quanto mais crimes comete. Se o jogador rouba um carro e mata um pedestre, a polícia passa a persegui-lo. Se atira no policial, o FBI aparece. Se assassina o agente federal, os militares entram no caso…

Caldo de cultura é quando meu irmão luta no Afeganistão, assim como meu pai fez no Iraque e meu avô no Vietnã.

Caldo de cultura é, aos 23 anos, entrar numa loja e comprar, sem a menor burocracia, uma pistola Glock 9mm e um pente extra que me permite disparar 33 tiros seguidos sem precisar descarregar – como fez Jared Lee Loughner, em Tucson (Arizona), no sábado, 8 de janeiro, matando seis pessoas, entre as quais o juiz federal John M. Roll, e ferindo gravemente várias, inclusive a deputada democrata Gabrielle Giffords.

Os EUA estão num impasse. A eleição de um presidente negro com discurso progressista não foi digerida por amplos setores racistas e conservadores. O que deu origem ao mais recente caldo de cultura fascista — o Tea Party, liderado por Sarah Palin, ex-governadora do Alasca e candidata a vice-presidenta pelo Partido Republicano em 2008.

O movimento Tea Party situa-se à direita do Partido Republicano. Para seus adeptos, as liberdades individuais estão acima dos direitos coletivos. Embora muitos sejam contra a guerra, eles coincidem com os ultramontanos ao reprovar a união de homossexuais e a legalização de imigrantes, e defender a abstinência sexual como o melhor preservativo ao risco de aids.

Obama é uma decepção para muitos de seus eleitores. Nas eleições legislativas de novembro foi alta a abstenção entre jovens, negros e latinos que nele votaram. Não parece saber lidar com a crise econômica que afeta o país desde 2008. Muitos perderam suas casas devido ao estouro da bolha especulativa; 8,5 milhões de trabalhadores ficaram sem emprego e 8 milhões carecem de seguro-desemprego. O próprio governo admite que em 2012 a taxa de desemprego ultrapassará 8%.

Malgrado o Nobel da Paz, Obama não pôs fim às guerras no Iraque e no Afeganistão; não reduziu a ameaça terrorista; não avançou no quesito ambiental; não melhorou as relações com Cuba; não reformou o projeto de lei de imigração; e não tem segurança de que sua reforma da saúde será aceita pelo atual Congresso.

Hoje, os EUA estão mais à direita do que na eleição de Obama. No pleito de novembro, o Partido Republicano avançou 63 cadeiras. Agora, são 242 deputados republicanos e 193 democratas.

Obama sente-se encurralado. Não ousa como Roosevelt nem inova como Kennedy. Já agradou os republicanos ao contrariar sua promessa de campanha e anunciar, a 6 de dezembro, a prorrogação dos privilégios tributários aos mais ricos, herança da era Bush. Deu um Papai-Noel de US$ 4 trilhões à elite usamericana. E reduziu de 6,2% para 4,2% o imposto recolhido da folha de pagamento e destinado a financiar a Seguridade Social, agora com menos US$ 120 bilhões!

E o Senado, onde os democratas mantêm maioria, desaprovou, a 18 de dezembro, a legalização de 11 milhões de indocumentados que vivem nos EUA.

A democracia fica ainda mais ameaçada desde que a Suprema Corte, há um ano, deu sinal verde para as grandes corporações financeiras abastecerem o caixa dois das campanhas eleitorais. Estima-se que nas eleições de novembro os republicanos angariaram US$ 190 milhões, e os democratas a metade. E a turma da privatização da saúde contribuiu com US$ 86,2 milhões para tentar boicotar a reforma proposta por Obama ao setor. Em suma, o modelo usamericano de democracia é refém do dinheiro.

O novo Congresso vai bater forte na tecla de corte de gastos do governo. Isso significa, num país em crise, reduzir os serviços sociais e multiplicar a exclusão social e a criminalidade. Inclusive a dos fanáticos como Loughner, convictos de que as cabeças que não pensam como as deles merecem uma única coisa: bala.


*Frei Betto é escritor, autor de “Cartas da Prisão” (Agir), entre outros livros

FIM

Extraído do site Sul21

http://sul21.com.br/jornal/2011/01/eua-caldo-de-cultura-fascista/

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

TWITTER Y EL PERIODISMO



Facebook y Twitter, las de mayor penetración en la Argentina, son las dos mas relevante por su presencia en gran parte de planeta y por sus ingresos de centenares de millones de dólares anuales.

Por César Muzi, jornalista argentino

La primera “comunidad digital” GeoCities, fue creada a mediados de los 80 por el estadounidense David Bohnett, pero esa red tuvo un efímero auge y no logro consolidarse. Unos años después, sus compatriotas Tom Anderson y Chris DeWolfe lanzaron MySpace, aunque solo disponible para los países de habla inglesa, que fue adquirida en julio de 2005 por News Corporation, del magnate Rupert Murdoch.

El matutino Clarín, el de mayor circulación en la Argentina, presenta desde hace unos meses un nuevo diseño de su versión online con la finalidad de “potenciarla oferta periodística a través de recursos que facilitan el acceso a todos los formatos multimedia, textos, videos, infografías animadas, audio, encuestas interactivas y enlaces con las redes sociales”, explicó Darío D´Atri.

El editor en jefe de Clarin.com afirmó que Facebook y Twitter “potenciaron el tráfico de usuarios” y sostuvo que el rediseño del portal implicó “desafíos al ejercicio periodístico” pues, al posibilitar al lector el acceso a la información en diferentes pantallas –desde una clásica computadora, una notebook, un celular inteligente hasta un iPhone- “cambia de raíz la forma de producir, editar y publicar noticias en Internet”.

Federico Pinedo, editor de El Tribuno.com, aseguro que Facebook y Twitter “tienen una importante utilidad” en la labor periodística, para lo cual puso como ejemplo los cientos de mensajes que recibió el matutino salteño cuando un temblor sacudió el noroeste argentino, el pasado 27 de febrero.

“En pocos minutos recibimos unos 300 comentarios e informaciones a través de las redes sociales, mensajes que nos permitieron tener un panorama exacto sobre como el temblor se había sentido en cada rincón de la provincia. Nuestros lectores fueron, en ese caso, rápidos y precisos corresponsales”, explicó.

Después de dejar el cargo de director adjunto del diario El Mundo, de Madrid, Mario Tascón se especializó en sitios online informativos y de entretenimientos. Creador del blog 233 Grados, director de la editorial DixiMedia y editor de Lainformación.com, además de asesorar a diarios latinoamericanos en el uso de nuevas herramientas digitales.

En un reciente taller que dirigió en Lima, sobre cómo hacer rentables los sitios online, sostuvo que Facebook y Twitter “son muy útiles para conocer el perfil de quienes nos siguen” y lanzó su sentencia de que un periodista sin esas redes sociales “hoy no tiene lugar en los medios”.

“El defecto del periodismo tradicional ha sido la soberbia, la arrogancia. El lector siempre fue la persona más citada para justificar nuestro trabajo y, en realidad, la menos escuchada. Por eso –indicó- tenemos que reinventarnos constantemente y si la gente está aprendiendo a usar los nuevos soportes digitales, por qué el periodista no puede hacer lo mismo”, manifestó el director.

También señaló que las redes sociales y otros soportes digitales, como YouTube, son “piezas claves de la comunicación global”. Sobre la importancia de Facebook y Twitter en el negocio periodístico, Tascón aseguró que adquirieron “una relevancia especial al distribuir la información a otros”, pues son “el boca a boca digital” que “otorga un sello de credibilidad”.


Por otro lado, en una entrevista realizada al Director de Prensa de la Cancillería argentina, el Ministro Marcos Lohlé, nos señaló que el Twitter “ es el avance tecnológico, es un cambio, y como todo cambio hay que ver como uno se adapta y se pone al servicio. En el caso nuestro, de brindar información sobre la política exterior argentina de un modo más claro, mas continuo, más accesibles a nuestros destinatarios que son los ciudadanos argentinos”.

Además, él manifestó que “el periodismo va a tener que adaptarse, van a surgir formas de periodismo, de nuevos medios, los cuales están ganando espacio respecto de los medios tradicionales, los cuales no van a desaparecer”.


Refiriéndose a la teoría que el Twitter reemplazaría a los voceros , el Ministro Lohlé consideró que “ la figura del vocero es un poco falsa. En el sentido de qué es un vocero, hace setenta años la gente voceaba los diarios, voceaban en la calle, eran voceadores. Ahora los voceros son personas que dicen lo que la autoridad o el dirigente no quiere decir por sí mismo, es una figura un poco extraña. Yo creo que seguirá habiendo voceros, es una figura que viene de la política norteamericana, yo no creo mucho en el tema de los voceros, yo creo más en la comunicación institucional y en la comunicación política.”

Según el Director de Prensa del Ministerio de Relaciones Exteriores, el Twitter ya cambio el paradigma de la comunicación, ya que manifestó que “el comunicador que no incorpora los nuevos medios queda alejado un poco de la dinámica de investigación y comunicación actual”. No obstante, también expresó que hay determinados aspectos del periodismo que no necesitan de los nuevos medios.

El Ministro Lohlé resaltó que las nuevas tecnologías modificaron el lenguaje, que hay nuevos símbolos, palabras que se escriben de otra manera, sin embargo no van a reemplazar a la palabra. El funcionario destacó que “lo esencial es el libro, hablando de lenguaje escrito, es como la rueda, venga lo que venga nunca se va a acabar.” (CLM)

FIM

Extraido do blog Ágora Web
http://elagorasosvos.blogspot.com/

domingo, 16 de janeiro de 2011

Deu no jornal espanhol El País




Leitor brasileiro escreve ao jornal espanhol El País para esclarecer falcatrua da Globo contra o governo Dilma...


Do Rede Liberdade

Mientras tanto impresionan e indignan las imágenes emitidas anoche por el telediario nacional de la Red Globo, con más de 40 millones de audiencia, intercaladas con las sangrantes de la tragedia, de la primera reunión ministerial con los 37 nuevos ministros presidida por Dilma Rousseff, en la que aparecían riendo a carcajadas, algunos masticando chicle y con aire de fiesta.

[Enquanto isso impressionam e causam indignação as imagens emitidas ontem pelo jornal nacional da Rede Globo, com mais de 40 milhões de audiência, intercaladas com as imagens pungentes da tragédia, da primeira reunião ministerial presidida por Dilma Rousseff com seus 37 novos ministros, em que apareciam rindo às gargalhadas, alguns mascando chicletes e com ares de festa]

*****

A carta do leitor Marco Aurelio (esclarecendo o fato) ao jornal:

Estimado señor editor del periódico El País,

Sobre el reportaje “Un informe oficial de 2008 ya alertaba del riesgo que supondrían lluvias intensas en Brasil” hay que aclarar punto muy importante y que un periódico como El País no puede ignorar.

La cadena de televisión Globo es un enemigo político del gobierno que se ha elegido en el día 31 de octubre de 2010, así como fue del gobierno Lula durante sus ocho años.

Puesto eso, les quiero informar que lo que dice este reportaje, basado solamente en lo que ha divulgado la Globo, y sin escuchar el otro lado (el gobierno), nos es verdad.

La Globo utilizó una imagen de otro momento de la reunión de la presidenta Dilma con sus ministros como si fuera el momento en que se trataba del tema de la tragedia que sucedió en Brasil.

Vivo en São Paulo, donde están ocurriendo decenas de muertes por la lluvia e nada se debe a la topografía de la región, pero al descaso del gobierno local.

Ustedes no van a ver jamás en la Globo noticias de los barrios de São Paulo con el agua por el techo de las casas, las familias que perdieran todo, las decenas de muertos en la ciudad más rica del país simplemente porque la Globo lo omite.

Pasa que la Globo hizo un acuerdo con el PSDB, partido de oposición al PT, que gobierna Brasil.

La familia Marinho, dueña de la Globo, hizo ese acuerdo en 1994, con el entonces candidato a presidente Fernando Henrique Cardoso, y eso maneja lo que la empresa dice ser “periodismo”. Eso, en Brasil, es público.

La Globo es un órgano de prensa de extrema derecha que ha sustentado la dictadura militar que tuvo Brasil entre 1964 y 1985. Se dedica, pues, a desmoralizar los gobiernos de centro izquierda del PT.

La presidenta Dilma Rousseff se fue a la región de la tragedia. Puso los pies en la lama. El gobernador de São Paulo, donde barrios enteros se hunden en el agua con excrementos, nada hizo.

La Globo nada dijo de eso ¿Saben ustedes por qué? Porque el gobernador actual de São Paulo y el anterior (Geraldo Alckmin y José Serra) son aliados de la empresa de la familia Marinho.

Estos son los factos: lo que presentó Globo es una trampa. Confío, pues, en la historia y honestidad de este periódico para darle a su público el otro lado de la moneda, pues es eso que obliga el buen periodismo.


FIM

Extraído do Rede Liberdade

http://www.facebook.com/home.php?sk=group_138288009564204&id=139124116147260

sábado, 15 de janeiro de 2011

La lezione di Mirafiori


di Andrea Aimar

Alla fine i sì hanno vinto, seppur di poco.
Ce lo si aspettava, ma rimane qualcosa nella consultazione di Mirafiori alla quale qualcuno dovrà prima o poi rispondere. Nonostante il martellamento mediatico e i consigli non richiesti da parte di tutti gli opinionisti e di tutta (o quasi) la politica, le lavoratrici e i lavoratori hanno di fatto espresso un chiaro dissenso all'accordo. I sì hanno vinto grazie alla percentuale bulgara espressa dagli impiegati: fosse stato per il voto di operai e operaie avrebbe prevalso il no. Sarà un caso ma l'accordo va a peggiorare nettamente le condizioni dei secondi. Anche in chi si è espresso positivamente c'è la risposta obbligata ad una domanda con una pistola alla tempia, frasi del tipo “è uno schifo ma che possiamo fare?”.
Insomma politicamente il sì ha perso, e non è detto che il futuro in questo non ricalchi la mano.

Va dato atto del coraggio dei tanti no, loro soli sono riusciti a porre un tema al paese che la politica ha bellamente ignorato: dove debbono fermarsi le ragioni dell'economia davanti alle ragioni dell'essere umano “in carne ed ossa”? Qual'è il limite dello sfruttamento del lavoro umano in nome di concorrenza, maggiore produttività, “sviluppo”? Esiste un limite? Domande rimaste inevase che il voto operaio ha posto al centro della contesa per chi vorrà comprendere. C'è da riflettere fino a che punto Marchionne si può permettere di spremere il lavoro in nome di alti guadagni, quote azionarie da remunerare, livello del profitto da consolidare ed aumentare per rassicurare le borse.

E del tutto paradossale che nel dibattito di questi giorni si ragionasse dell'economia e del mercato come un qualcosa di esogeno alle persone. Come se il punto non fosse il benessere umano ma le astratte e fredde ragioni di qualche azionista che ama fare soldi con i soldi.

C'è poi la partita del modello di sviluppo, di questo ci piacerebbe parlare. Dobbiamo nuovamente ringraziare i lavoratori e le lavoratrici di Mirafiori perchè ci hanno permesso e ci permetteranno di farlo. Quale futuro per l'industria dell'auto? Il piano Marchionne, alla prova dei fatti tutti da verificare, dovrà consentire di produrre SUV a Torino o meglio: assembleare a Torino gran parte delle cose prodotte negli Stati Uniti e far tornare negli States gran parte del prodotto finale.

Alla faccia della filera corta, alla faccia di chi sostiene la centralità del territorio. Non è un segreto che dietro l'accordo di Mirafiori ci sia l'ennesima operazione con cui Marchionne si sposterà sempre più oltre oceano. Non è un segreto che la progettazione e la ricerca, ossia la testa dell'azienda, parli sempre più in americano. Mirafiori non ha futuro e non perchè i lavoratori e le lavoratrici hanno espresso il loro dissenso. Mirafiori non ha futuro perchè produrre SUV altamente inquinanti ed energivori è una scelta senza prospettive in un contesto che obbligherà nei prossimi anni a ragionare di mobilità sostenibile e collettiva. Mirafiori non ha futuro perchè se la competizione vorrà essere giocata sul costo del lavoro ci sarà sempre qualcuno disposto a condizioni ancora peggiori. Mirafiori non ha futuro perchè non ci sarà la ricerca di una produzione alternativa di un settore saturo che non tiene conto dei limiti fisici e ambientali di un pianeta.

Qualcuno prima o poi dovrà affrontare questi temi, qualcuno dovrà interrogarsi su quali bisogni deve innestarsi la produzione e a quali condizioni. Cosa produrre? Perchè? Domande che sarebbe bello sentir fare dalla politica. Mirafiori racconta inoltre dell'ennesima sconfitta della politica: incapace di una propria autonomia, subalterna agli interessi “globali” del Marchionne di turno, muta e priva di una progettualità di medio e lungo periodo. Anche i fautori del sì su questo dovranno darsi alcune risposte, e non sarà cosa piacevole.

Ed infine: chi e come rappresenterà politicamente quei no?

Nel '39 a Mirafiori il Duce ricevette una brutta accoglienza da parte degli operai che si rifiutarono di salutarlo, per chi volle capire era la rappresentazione di un'esigenza di un cambiamento che poco dopo verrà sotto il nome di resistenza. Mirafiori racconta anche questo, bisogni di cambiamento.

FIM

Extraído do blog italiano Officine Corsare

http://www.officinecorsare.org/index.php

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Fred Vargas e Carlos Lungarzo provam fraude no julgamento de Battisti




Por Celso Lungaretti


Agora, não resta nenhuma dúvida: o escritor italiano Cesare Battisti foi condenado à prisão perpétua num julgamento irregular, pois não estava sendo defendido por advogados que houvesse constituído para tanto, inexistindo qualquer evidência de que, foragido no exterior, ele tivesse ciência de que o julgavam.

Quem o representou, na verdade, incorreu em crimes como os de fraude e falsidade ideológica, motivados pelo empenho em favorecer outros réus, cujos interesses eram conflitantes com os de Battisti.

Isto foi totalmente provado por uma investigação independente conduzida pela escritora Fred Vargas, que agora é disponibilizada para os brasileiros por Carlos Lungarzo, professor aposentado da Unicamp e membro há três décadas da Anistia Internacional.

Acrescento que o conteúdo desse dossiê é de extrema gravidade: comprova irrefutavelmente o direito que Cesare Battisti tem de ser julgado novamente na Itália, já que sua condenação se deu à revelia.

Esse direito está sendo escamoteado pela Justiça italiana que, ao ignorar a denúncia consistente que lhe foi apresentada, cedeu à razão de Estado, acumpliciando-se com uma fraude.

Também o relator do Caso Battisti no Supremo Tribunal Federal, Cezar Peluso, descumpriu clamorosamente seu dever de servir à causa da Justiça e não apenas ao de uma parte, a mais poderosa: foi alertado de que o escritor sofreu gravíssima violação dos seus direitos e preferiu o caminho fácil da omissão.

Finalmente, dou testemunho pessoal de minhas tentativas de encontrar espaço para esta denúncia na grande imprensa brasileira, sem que houvesse um grande jornal, uma grande revista nem uma grande rede de TV com disposição de fazer jornalismo, publicando o que é notícia de importância decisiva num caso extremamente polêmico.

Segue o texto em que Carlos Lungarzo apresenta esse trabalho, dando as coordenadas para quem quiser conhecer o dossiê no seu todo. (Celso Lungaretti)


CASO BATTISTI, FINALMENTE: PROVA DA FALSIFICAÇÃO DAS PROCURAÇÕES

A descoberta inicial – Em 2005, a historiadora, arqueóloga e romancista francesa FRED VARGAS, auxiliada por uma perita do Tribunal de Apelações de Paris (Evelyne Marganne) e por dois advogados franceses (Turcon & Camus), descobriu um fato fundamental: as procurações utilizadas pelos advogados italianos de Battisti, no processo de 1982 até 1990, no qual foi condenado a prisão perpétua, FORAM FALSIFICADAS.

A perita mostrou que três procurações (de maio de 1982, de julho de 1982, e de 1990) foram assinadas no mesmo momento. A doutora Vargas deduziu, então, que essas assinaturas tinham sido feitas por Battisti em folhas em branco quando fugiu da Itália. Isso é uma prática muito frequente entre perseguidos, inclusive na América Latina, pois permite que amigos e familiares usem essas folhas vazias para dar procuração a pessoas da sua confiança.

Fred Vargas percebeu também que as duas procurações separadas por dois meses (maio-julho 82) eram idênticas, e coincidiam por transparência como dois xerox coincidem com o original (salvo algumas palavras trocadas). Nenhuma pessoa jamais teve uma coordenação motriz tão perfeita como para reproduzir sua própria escrita, de maneira exata, meses depois. Segundo meu amigo Lars Brejde, professor de geometria diferencial em Oslo (que gentilmente me auxiliou por e-mail e por MSN), a probabilidade de que isso aconteça é quase zero.

OBSERVAÇÃO – Se você escreve uma linha de texto de (+ ou -) 40 caracteres, e dois dias após repete a mesma linha em outro papel, a probabilidade de que ambas coincidam é muito baixa.

Digamos que seja de uma vez em 100 (de fato, é muito menor, mas não quero parecer tendencioso). Então, a probabilidade de que coincidam duas linhas é de uma vez em 10 mil. (De fato, é um pouco menos, porque devem coincidir de maneira conjunta.) A probabilidade de que coincidam três é uma em 1 milhão (1003). Portanto, a probabilidade de que coincidam seis é de 1 vez em 1 bi. Então, a probabilidade de que coincidam as duas procurações em todos os caracteres deve ser, menos de 1 vez em 100 bi.

Portanto, a única explicação é que alguém usou uma antiga procuração verdadeira de Battisti (que ele tinha dado aos advogados em 1979), e a calcou sobre duas folhas em branco. O objetivo disto era fingir que Battisti tinha dado procuração aos advogados. Então, ele não poderia aduzir que foi julgado sem direito à legítima defesa.

(Obviamente, o julgamento teve muitas outras irregularidades, mas neste momento só nos interessa falar nisto.)

A senhora Vargas mostrou sua descoberta aos advogados defensores brasileiros, e a vários políticos e juristas que se interessaram muito e entenderam que era realmente um caso de fraude. Os advogados e o senador Suplicy denunciaram o fato publicamente. Além disso, Fred Vargas pediu ao relator do processo, Peluso, que pedisse à Itália o envio dos originais para fazer uma nova perícia no Brasil. Ele recusou.

Um fato interessante é que um amigo meu, que também tomou conhecimento da descoberta, fez xerox de tudo e conseguiu, por via de contatos familiares, ser recebido por MICHELE VALENSISE, embaixador da Itália no Brasil entre 2004 e 2009. Ele esperava que o embaixador, a quem não conhecia, se incomodasse quando lhe mostrasse os documentos, mas não foi assim. Segundo ele, o diplomático ficou pálido e sussurrou: “Eu não sabia nada. Não tive nada a ver”. Alguns meses depois desta visita, Michele foi deslocado para a Alemanha.

A minha parte – Os documentos possuídos pela doutora Vargas eram suficientes para entender o que tinha acontecido, especialmente utilizando as explicações dela. Entretanto, eu vi algumas dificuldades. O leitor médio, mesmo comprometido e solidário, nem sempre possui tempo e paciência para se mergulhar em mais de 20 documentos fotocopiados, às vezes escuros. Não é estimulante ordenar textos, olhá-los com cuidado, transcrevê-los, cortá-los, uni-los, compará-los e finalmente tirar conclusões.

Por causa dessas dificuldades, decidi fazer uma apresentação PASSO A PASSO (com 55 slides) que permitisse acompanhar todo o processo, como se fosse um catálogo para usar um aspirador ou uma receita para fazer sopa. A apresentação contém todas as xerox necessárias e os comentários. Além disso, há uma pequena animação que mostra a falsificação. Adicionalmente, o TEXTO EXPLICATIVO (de 19 páginas) que acompanha tira todas as dúvidas, junto com outro texto de Fred Vargas. No site podem analisar os 22 documentos originais, claramente expostos.

Em novembro de 2009, eu pedi à doutora Vargas as cópias dos documentos, que ela me entregou com enorme generosidade e comentários muito esclarecedores. Decidi então estudar com detalhe o problema durante dois meses. O truque do decalque era óbvio, e podia ser percebido a olho nu por qualquer pessoa, se for advertida do fato. Mas era necessário colocar tudo isso numa forma que todos pudessem acompanhar facilmente, e não deixasse nenhuma dúvida.

Portanto, auxiliado por várias pessoas, fiz uma reprodução detalhada do processo de falsificação utilizando as cópias legítimas fornecidas por Fred Vargas, tomadas dos documentos que a Itália tinha entregado a França para a extradição de Battisti. Produzi com isso uma apresentação em PowerPoint, onde se mostra de maneira indubitável a coincidência entre duas das procurações.

Uma parece xerox da outra. Ou seja, jamais poderiam ter sido escritas a mão livre. Minha apresentação inclui também exemplos históricos e EXPERIMENTOS QUE SE PROPÕEM AO LEITOR, para que ele os realize e perceba que é IMPOSSÍVEL que dois textos coincidam dessa maneira se não tivessem sido CALCADOS.

Acompanho o PowerPoint com um documento de 19 páginas onde explico o processo passo a passo. Não estou enviando cópia a todas as redes, como faço com a maioria de meus artigos, porque o tamanho dos arquivos poderia obstruir os computadores menos velozes. Mas fico totalmente ao dispor de quem se interessar para maiores esclarecimentos. Todos poderão encontrar estas provas em vários sites e blogs que cito no final desta nota.

Assumo toda a responsabilidade civil e criminal, ante qualquer suspeita de que meus dados possam estar errados, ou de que estou fazendo uma denúncia temerária.

Onde encontrar – Em meu site O Caso de Cesare Battisti (http://sites.google.com/site/lungarbattisti/) se encontra:

* a apresentação animada com a descrição do processo de falsificação;

* o texto explicativo de 19 páginas, colocado como documento PDF no ANEXO (1) (rodapé).

* a coleção de 22 fotocópias que compõem o material da perícia, contendo documentos públicos e escritos privados de Battisti, para propósito de comparação;

* outro texto explicativo, este de Fred Vargas (Anexo 2º).

Recentemente, Nádia Gal Stabile, a quem muito agradeço, construiu um blogue de excelente qualidade (http://ocasodecesarebattisti.blogspot.com/), com o mesmo nome, para que eu pudesse armazenar também aí estes documentos. Aí a visibilidade é perfeita.

Observação - Tenho absoluta confiança na correção de minhas provas. Entretanto, apreciarei muito a opinião de quaisquer outras pessoas e instituições. Especialmente, gostaria conhecer o parecer de pessoas que trabalhem em pesquisa grafológica, geometria da escrita e áreas similares. Também apreciaria a opinião de membros da PF e do MPF. Gostaria de saber se num julgamento feito no Brasil, estes documentos teriam sido aceitos.

Peço a todos os que considerem valiosa a causa da justiça, especialmente aos possuidores de blogues, sites e outros veículos, divulgar o máximo possível nossa informação.

Atenciosamente,

Carlos A. Lungarzo

FIM

Extraído do Consciência.Net:
http://www.consciencia.net/fred-vargas-e-carlos-lungarzo-provam-fraude-no-julgamento-de-battisti/

Eduardo Suplicy: Contribuições ao julgamento de Cesare Battisti

Artigo do senador Eduardo Suplicy sobre o caso Battisti.
Apesar de publicado em 2009, ainda é muito atual e esclarecedor
.

No último dia 9 de setembro (de 2009), acompanhei, no Supremo Tribunal Federal, grande parte da sessão de julgamento do caso da extradição ou de refúgio de Cesare Battisti. Muitas pessoas me perguntam sobre meu empenho na defesa de um homem acusado de ter cometido quatro assassinatos na Itália.

Gostaria de esclarecer que, em 2007, fui procurado em meu gabinete pela arqueóloga, historiadora e escritora Fred Vargas, que tem diversos livros editados dentre os mais vendidos na França e demais países europeus.Segundo o jornal francês Le Figaro, do último dia 15, Fred Vargas está entre os três escritores franceses que mais venderam livros no ano passado.

Quando de sua visita, ela me explicou o seu empenho em desvendar a inteira verdade sobre a história de Cesare Battisti, acusado e condenado à prisão perpétua em seu país por quatro assassinatos, os quais não havia cometido.

Fred Vargas, como arqueóloga, desvendou como a peste se espalhou na Idade Média através de certos tipos de pulgas. Este trabalho lhe rendeu vários prêmios, permitiu estudar e fazer algumas recomendações ao atual governo francês sobre como evitar que a gripe A H1N1 se espalhe mais ainda. Com a mesma energia ela resolveu investigar a inteira verdade do caso Cesare Battisti.

O seu empenho em buscar a verdade e promover a justiça me sensibilizou a tal ponto que resolvi conhecer Cesare Battisti e a sua história. Visitei-o várias vezes, li seu livro Minha fuga sem fim, estudei o processo e cheguei à mesma conclusão de Fred Vargas. Nestes últimos dias, ela estudou com atenção as 131 páginas do voto proferido pelo eminente ministro Cezar Peluso, do Supremo Tribunal Federal.

Com todo o respeito pelo trabalho tão detalhado e com base nas informações obtidas em seus estudos, Fred Vargas detectou algumas falhas que levaram o ministro-relator a uma conclusão que não encontra suporte nos fatos.

Para que não apenas o ministro Cezar Peluso mas, também, os demais ministros possam refletir a respeito, encaminhei a todos um texto de Fred Vargas intitulado 13 perguntas ao ministro-relator Cezar Peluso, Equívocos e imprecisões que podem levar um homem à prisão perpétua.

No documento (que pode ser lido em Suplicy@senador.gov.br="">) ela ressalta vários fatos importantes existentes nos autos do processo italiano e que não foram observados pelo ministro-relator.

Sendo assim, creio ser relevante que os ministros, por quem tenho grande deferência, possam esclarecer essas questões antes que o veredicto sobre o caso Cesare Battisti seja proferido.

Sinto-me no dever, como cidadão brasileiro, descendente de italiano, senador da República, eleito por três vezes, de contribuir com a Justiça de meu país para que tome uma decisão correta. É como cidadão brasileiro, bisneto e neto de italianos, que conclamo a pátria de meu avô e de meu bisavô a também procurar a verdade. Como fizeram os grandes cientistas italianos da história da humanidade Galileu Galilei, Giordano Bruno, Leonardo da Vinci e tantos outros que sempre tiveram como lema buscar a verdade, valor inerente ao ser humano, para alcançar a justiça.

* Eduardo Suplicy é senador (PT-SP).

FIM

Estraído do site do Senador Eduardo Matarazzo Suplicy, no link "Publicações":

http://www.senado.gov.br/senadores/Senador/esuplicy/#

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

“Caso” Battisti: Eis por que estamos com Lula




Um grupo de intelectuais italianos radicados na França lançou documento apoiando a decisão do Brasil de não extraditar o ex-ativista Cesare Battisti e desmascarando os argumentos do governo direitista de Sílvio Berlusconi.


Por Uninomade.org
Quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Somos um certo número de italianos residentes no exterior, onde trabalhamos no ensino e na pesquisa, estupefatos com a postura da mídia e da “opinião pública” do nosso país diante do “caso” Cesare Battisti. A jornalista Anais Ginori, em La Reppublica de 2 de janeiro, parece por exemplo estigmatizar o “júbilo dos intelectuais franceses” (arbitrariamente identificados com Bernard-Henri Lévy e Fred Vargas) diante da recusa de extraditar Battisti, decidida pelo presidente brasileiro Lula da Silva.

Quanto à força de oposição ao atual governo Berlusconi, estamos particularmente surpresos ao constatar como alguns parlamentares do PD se recordam repentinamente de sua matriz ideológica, apelando inesperadamente ao presidente Lula enquanto “homem de esquerda”, com o único propósito de questionar seu gesto de precaução em relação aos direitos de um preso.

Contrariamente ao que se tem escrito e dito, nós acreditamos que a decisão de competência do presidente brasileiro não é resultado de um juízo superficial e apressado sobre nosso país, mas resultado de uma avaliação aprofundada e pertinente da situação política e judiciária italiana. O Brasil é o último de uma longa lista de países, após Grécia, Suíça, França, Grã Bretanha, Canadá, Argentina, Nicarágua, que se recusaram a colaborar com a justiça italiana. Será um acaso?

Na verdade, a fúria do governo italiano em pedir a extradição de Battisti se configura hoje mais como a vontade de exorcizar um inimigo vencido (quase uma obsessão de eliminar), do que como uma sóbria, autêntica exigência de justiça. Surpreendente, em particular, uma tal perseverança “justiceira” da parte de um executivo tragicamente incapaz de lançar luz sobre a carnificina dos anos sessenta e setenta, unanimimente considerada pelos historiadores como a “mãe” de todo o terrorismo.

Recordemos como em seu favor o “zero responsáveis” sobre o atentado da Praça Fontana em Milão e da Praça de Loggia em Brescia tem sido permanentemente consagrado, respectivamente pela Suprema Corte em 3 de maio de 2005 e, mais recentemente, pela Corte de Inquérito em 16 de novembro de 2010. Ou uma magistratura severa que garante a imparcialidade do Estado, como sugerido recentemente por Alberto Asor Rosa[1] em uma de suas freqüentes colunas no Manifesto!

Uma tal diferença de tratamento em investigar a responsabilidade, que não tem como não saltar aos olhos da opinião pública internacional, não é apenas o efeito de uma permanência endêmica, na Itália, de uma classe corrupta no governo ou mesmo para-fascista (de Alemanno, ex-membro de esquadra fascista, prefeito de Roma, ao insolente ex-MSI [2] La Russa, Ministro da Defesa). Não, essa tara originária é antes de tudo fruto da política de emergência que tem sido o leitmotiv da política italiana do pós-guerra e na qual a esquerda se deixa seduzir, até a morte rápida como uma fatalidade, quando não tranqüilamente acomodada, por uma consolidada incapacidade de propor uma alternativa global a uma ordem capitalista tardia.

Essa “emergência” prolongada foi a base da participação de setores inteiros do Estado nas atrocidades criminais que ensanguentaram o passado recente da história nacional, impedindo a emancipação social e debilitando antropologicamente, molecularmente, a cotidianidade. Fato altamente significativo, a classe política atualmente no comando na Itália é herdeira direta desses poderes um dia ocultos (“Piano solo”, “Gládio”, “P2” [3]), mas agora definitivamente desembaraçada e bem decidida a ocupar o terreno político e midiático, para defender seu próprio interesse vital ameaçado: aquele de uma vida reduzida a uma pura, absurda axiomática empresarial.

A “anomalia italiana” não é senão o resultado dessa sistemática subordinação dos órgãos garantidores do direito à “exceção” do comando político e ao seu diktat selvagem sobre a consciência. Basta pensar que um dos mais altos postos da República, abaixo apenas do presidente Giorgio Napolitano, é hoje confiado a um “magnata” da mídia cuja “acumulação primitiva”, no curso dos anos sessenta e setenta, tem sido caracterizada por aqueles que a definiram eufemisticamente como “ilegalmente comprovada”.

Portanto, acreditamos que o forte envolvimento do Estado italiano na guerra civil “guerreada” que teve lugar na Itália nos anos setenta, paralelamente ao conflito (não somente e nem sempre “frio”) encenado pelos dois blocos internacionais opostos e parcialmente especulares, torna impossível desatar o nó histórico emerso com o “caso” Battisti no quadro das instituições e das leis atualmente vigentes na Itália. Somente uma medida que reconheça a enorme responsabilidade do Estado na degeneração do embate político entre os anos sessenta e oitenta, e não a grotesca exibição de orgulho nacional a que estamos assistindo nesses dias, pode permitir à Itália sair do “déficit” de credibilidade internacional que danifica fatalmente sua imagem. Enquanto tal medida não se concretizar, justiça não poderá ser feita e o pedido de extradição de ex-terroristas aparecerá fatalmente como atalhos vexatórios, quando não como tentativas mentirosas de reescrever a história.

Saverio Ansaldi – Universidade de Montpellier III
Carlo Arcuri – Universidade de Amiens
Giorgio Passerone – Universidade de Lille III
Luca Salza– Universidade de Lille III.


Notas

[1] Alberto Asor Rosa é um intelectual conhecido na esquerda italiana desde os anos sessenta. No final dos anos setenta, como quadro do Partido Comunista Italiano, defendia posições teóricas que buscavam se contrapor ao protagonismo nas lutas sociais dos sujeitos políticos dos quais Cesare Battisti fazia parte. Vide sua teoria da “primeira” e “segunda sociedade”. (N. do T.)

[2] Partido formado no pós-guerra por aderentes do fascismo. Foi na prática o partido fascista italiano até sua dissolução na Aliança Nacional em 1995. (N. do T.).

[3] Gladio era o nome de uma operação clandestina da Otan no pós-guerra, com objetivos anti-comunistas. Entre suas ações estavam atentados como a chamada “bandeira trocada”. P2 era uma loja maçônica, envolvida com a Operação Gladio, com a máfia e em escândalos financeiros. O ‘Piano solo’ foi um plano no qual a Gladio esteve envolvida e que conseguiu tirar do governo italiano os ministros socialistas, em 1964. (N. do T.).

FIM

Fonte: Uninomade.org
Traduzido do italiano (O Vermelho)


Extraído do site do PT/SP
http://www.pt-sp.org.br/noticia.asp?p=Mundo&acao=verNoticia&id=2833

Marcello Lonzi. Morto in carcere con 8 costole rotte e 2 buchi in testa per un infarto




Italianos de direita fazem protesto em frente a embaixada brasileira, pedindo Battisti de volta. Eis a realidade das prisões italianas, publicada no blog de Beppe Grillo. Mãe lamenta morte de filho por espancamento, mas a versão oficial atesta que foi "infarto", apesar das feridas na cabeça e das costelas e dentes (!!!) quebrados...


Do blog de Beppe Grillo (Itália)

La pena di morte è stata abolita dalla Costituzione nel 1948. In carcere muoiono però ogni anno più di 100 detenuti in circostanze misteriose. Ad esempio un ragazzo può morire di infarto a Livorno, lo dice il medico del carcere, con otto costole rotte, due denti spezzati, due buchi in testa, mandibola, sterno e polso fratturati. Di infarto, non a causa di un pestaggio. Marcello Lonzi, un ragazzo, era stato condannato per tentato furto, nove mesi di reclusione. Sua madre vuole la verità e le scuse dallo Stato che avrebbe dovuto vigilare sulla vita di suo figlio.

Intervista a Maria Ciuffi, mamma di Marcello Lonzi:

Otto costole rotte, due buchi in testa per un infarto

"Sono Maria Ciuffi, la mamma di Marcello Lonzi, morto l’11 luglio 2003 nel carcere Le Sughere a Livorno. Fu arrestato per tentato furto, nove mesi di reclusione, dopo quattro mesi mio figlio muore. Nessuno mi avverte, non vengo avvertita né dai Carabinieri né dalla Polizia, ma soltanto da una zia il giorno 12 alle 13: 20, quando mi vengono a avvertire a casa, dicendo che mio figlio è morto. Io ho detto “ E' impossibile, sarà un errore!”,

Una mamma sola contro lo Stato

Tutto questo perché? Perché il mio medico legale pensava che io arrivassi al processo e invece il processo non l’ho mai avuto, sono sette anni quest’anno che non ho mai avuto un processo e le due archiviazioni sono state fatte... io, l’avvocato e lo stesso G.I.P., Rinaldo Merani, che è lo stesso del 2004 e del 2010. Anche questo mi sono chiesta: se dovevano rimettere lui, non lo so. Diciamo. Però penso che, guardando le foto anche il più imbecille, come sono io, che non sono nessuno, vede che mio figlio è stato picchiato.

Per ottenere giustizia occorrono i soldi

Quello che so è che non c’era il dottore, anche se il carcere insiste a dire che c’era il medico, perché la dottoressa del 118 dichiara “Io sono entrata, mi sono avvicinata e purtroppo dal corpo già viola, già.. ho capito che questo ragazzo era morto”. Dopo si accosta un signore, lo tocca e dice, questa dottoressa del 118 “Quello che mi ha colpito di questo signore è che lo toccava senza guanti, allora mi sono permessa di chiedere chi era e lui mi dice: “Sono il medico del carcere””.

Se qualcuno mi volesse aiutare il mio numero di conto corrente Banco Posta è 66865767, intestato a Ciuffi Maria. Grazie infinite per quello che farete.

FIM

Extraído do blog de Beppe Grillo

http://www.beppegrillo.it/2011/01/marcello_lonzi/index.html

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

O CASO BATTISTI E OS PECADOS DA IMPRENSA



Do blog Ousar Lutar

Trecho de uma notícia publicada na edição de 05/01/2011 da Folha de S. Paulo:
"Alberto Torregiani, que perdeu o pai, Pierluigi, e ficou paraplégico em ação criminosa da qual Battisti participou, liderou ontem um ato de protesto em frente à Embaixada do Brasil em Roma".

Trecho de uma carta do professor universitário e membro da Anistia Internacional Carlos Lungarzo, que saiu no Painel do Leitor da mesma edição:
"Na sentença de 1988 da Corte d'Assise de Milão (Itália), com registro geral 49/84, na página 456, nas oito linhas finais, diz-se que foi 'definitivamente accertato' (em italiano no original) que o ataque contra Torregiani foi feito por [Sebastiano] Masala, [Sante] Fatone, [Giuseppe] Memeo e [Gabrieli] Grimaldi. Nenhum dos mencionados se chama 'Battisti'.

Todos os documentos disponibilizados pela Itália (que são apenas uma parte) podem ser encontrados no endereço www.vittimeterrorismo.it.

O filho de Torregiani, Alberto, declarou que Battisti não estava no local, e que a bala que o feriu foi disparada por erro por seu pai. Isso pode ser lido no livro 'Génération Battisti', escrito pelo jornalista francês Guillaume Perrault, que não tem nenhuma simpatia por Battisti (pág. 188)".

A Folha não lê a Folha?

Há mais de um ano, em outubro de 2009, eu desmascarei Alberto Torregiani, revelando que:
- ele admitira anteriormente à Agência Ansa que Battisti não estava entre os atacantes do pai;
- ele tinha interesse em aparecer no noticiário, já que escrevera um livro choramingas sobre seu sofrimento como órfão e tentava, a partir da repercussão desse livro, deslanchar uma carreira política, em agrupamento assumidamente neofascista.

Então, enviei a grandes jornais e à agência noticiosa Ansa tais esclarecimentos, sem que fossem publicados e sem que me fosse dado qualquer retorno.

E as notícias em que Alberto Torregiani, estimulando malentendidos, pega carona no Caso Battisti para se manter em evidência, continuam vindo da Itália e sendo servilmente aproveitadas pela imprensa brasileira, sem que os editores da Agência Ansa e dos jornais que eu alertei tomem qualquer providência para posicionar melhor a questão.

Convém aos interesses dominantes apresentar Torregiani como uma evidência da maldade de Battisti, pouco importando que a versão seja falsa.

Assim como convinha aos nazistas apresentarem os judeus como culpados do incêndio do Reichstag.

JORNALÃO DETURPA BIOGRAFIAS E "CANCELA" LEIS

O outro jornalão paulista conseguiu se desmoralizar ainda mais, estuprando a verdade num editorial em que afirma ter sido Cesare Battisti sempre um criminoso comum.

Nem o mais virulento linchador midiático, Mino Carta, ousou ir tão longe.

Fanático simpatizante do Partido Comunista Italiano, Mino tudo fez para queimar o arquivo vivo chamado Cesare Battisti, o escritor que estava trazendo à tona o papel infame assumido pelo PCI durante os anos de chumbo.

Foi quando os comunistas mancomunaram-se com a reacionária, corrupta e mafiosa Democracia Cristã para chegarem ao poder e o utilizaram da pior maneira possível, colocando-se na linha de frente da perseguição macartista à ultra-esquerda -- marcada pela introdução de leis caracteristicamente de exceção (como denunciou o grande Norberto Bobbio), orquestração de farsas judiciais e prática abrangente de torturas, mais fáceis de serem relegadas ao esquecimento porque lá os porões não tinham poder de vida e morte sobre as vítimas (daí sua dramaticidade ter sido menor...).

Obcecado em desacreditar o escritor e desobstruir os caminhos para que fosse despachado para a Itália e lá silenciado, Mino chegou até a encampar a infâmia inventada pela repressão italiana, de que Battisti seria um criminoso comum convertido à revolução no presídio.

Ou seja, falaciosamente apontou o ingresso de Cesare no grupo Proletários Armados pelo Comunismo como marco inicial do seu engajamento na esquerda, omitindo que era neto, filho e irmão de comunistas, tendo militado anteriormente na Juventude do PCI e nos grupos A Lotta Continua e Autonomia Operária. Os pequenos furtos que os jovens militantes cometiam para sustentar a causa foram, por sinal, o motivo de sua prisão.

Enfim, até para não conflitar com as sentenças dos dois julgamentos italianos de Battisti, Mino não se atreveu a ir além disto.

O Estadão, entretanto, não teve tais escrúpulos, mentindo da forma mais descarada possível, a ponto de afirmar que Battisti teria estado escondido na França, e não protegido pela Lei Mitterrand das perseguições italianas, como tantos outros integrantes dos aproximadamente 500 grupos de ultraesquerda que, levados ao desespero pelo compromisso histórico, fizeram uma opção insensata, mas, inquestionavelmente, política.

TERRORISMO É PRÁTICA OU UMA CONDIÇÃO ETERNA?

De resto, boa parte da mídia continua rotulando Battisti de terrorista, adjetivo que não encontra respaldo nas sentenças italianas (nelas só se fala em subversão contra o Estado) e, na pior das hipóteses, só se aplicaria a suas atividades até 1979.

Ou seja, um cidadão que abandonou as organizações armadas há três décadas e vive desde então em fuga, preso ou trabalhando honestamente, tendo constituído família e se projetado na literatura, é até hoje identificado com seu passado longínquo, num óbvio artifício para levar-se o público desinformado a supor que se trate de um Osama Bin Laden da vida!

Como veterano da resistência à ditadura brasileira de 1964/85 e membro do Comitê de Solidariedade a Cesare Battisti, jamais tentei aparentar isenção e equidistância. Sou parte desta luta, não observador. Assumo-o francamente.

Mas, até porque seria imediatamente desmentido e exposto pelos inimigos, sempre extraí minhas conclusões de fatos conhecidos e fontes identificadas.

É patético que os grandes grupos de imprensa façam exatamente o contrário: sem admitirem honestamente que estão 100% alinhados com a posição italiana, escamoteiam (em parte ou no todo) a apresentação do outro lado e o exercício do direito de resposta, deturpam fatos e discriminam fontes, dando destaque desmesurado a qualquer inspetor de quarteirão italiano que vitupere Battisti e desconsiderando as declarações de personalidades, juristas e intelectuais de renome mundial que o defendem.

FIM

Extraído do blog Ousar Lutar!!Ousar vencer!!
http://ousarlutar.blogspot.com/2011/01/o-caso-battisti-e-os-pecados-da.html

La bolla di Facebook




"Facebook dovrebbe distribuire i soldi ricevuti dalla Goldman Sachs ai suoi utenti che lavorano a cottimo e gratis fornendo informazioni che possono essere usate per attività marketing".


Por Beppe Grillo

Goldman Sachs ha investito 375 miloni di dollari in Facebook valutandola 50 miliardi di dollari. Ad ognuno dei 500 milioni di utenti di Facebook è stato attribuito il valore di 100 dollari. Senza iscritti Facebook varrebbe zero. Se io e mio figlio, ad esempio, cancellassimo il profilo, il valore di Facebook diminuirebbe all'istante di 200 dollari. Il capitale sono gli utenti, i loro contenuti e le loro reti di relazione e non la piattaforma, ma Facebook è un mondo chiuso in sé stesso nell'universo di Internet, chi vi entra non vi può più uscire. "Lasciate ogni speranza, o voi che entrate".

Se in futuro altre società fornissero una rete sociale con servizi migliori, l'utente di Facebook dovrebbe, in teoria, poter migrare i SUOI contenuti senza chiedere il permesso a Mark Zuckerberg. Nei fatti oggi non può farlo. Il valore economico di Facebook dipende dai miliardi di informazioni personali inserite. Chi è il proprietario di questi dati, dell’“identità digitale”? Facebook o l'utente? Dovrebbe essere l'utente, l'identità è sua, foto, film, testi sono frutto del suo lavoro, sono "lui", sono "lei".

Queste informazioni sono però utilizzabili solo all’interno di Facebook. Chi si registra su un'altra rete sociale deve reintrodurre tutti i dati. Ogni “identità digitale” è in sostanza proprietà di Facebook o della rete sociale in cui è stata inserita. Da tempo è allo studio uno standard per una "identità digitale universale" per accedere a ogni rete sociale dove contenuti e relazioni rimangono di proprietà dell'utente.

La nostra "identità digitale" è sempre più importante per le nostre relazioni sociali, ma può essere cancellata in ogni momento da Facebook e noi con essa.

Facebook dovrebbe distribuire i soldi ricevuti dalla Goldman Sachs ai suoi utenti che lavorano a cottimo e gratis fornendo informazioni che possono essere usate per attività marketing.

Con queste premesse, se il monopolio di fatto di Facebook finisse, i capitali di Goldman Sachs avrebbero creato l'ennesima bolla di Internet. E chi ci rimette i soldi nelle bolle? I piccoli azionisti o le grandi banche? Di certo non Goldman Sachs che potrebbe guidare la collocazione in borsa di Facebook nel 2012 con ritorni enormi. Potrò sbagliarmi, ma per sicurezza di azioni Facebook io non ne comprerò.

Extraído do Blog de Beppe Grillo (Itália)
http://www.beppegrillo.it/2011/01/la_bolla_di_facebook/index.html?s=n2011-01-04

Filosofia da arte





"A expressão mais vigorosa da arte é considerada aquela que proporciona ao sujeito humano um conhecimento especial de si mesmo. Ele aproveita a percepção sensível e mobiliza todos os seus recursos, reflexivos ou não, para se servir de todos os meios potencialmente úteis para o entendimento da realidade".



Por Leandro Konder


Defrontamo-nos hoje com uma incrível diversidade que se manifesta nas funções e nos meios das artes. As palavras, os sons, as imagens, a ficção literária, as comédias, os dramas, os poemas líricos e os filmes de cinema nos interpelam, nos convocam para múltiplos encontros.

Percebemos a variedades de linguagens que se expressam desde artigos de jornais e ensaios até o vastíssimo continente da música. Acrescente-se a esta lista interminável o texto das obras teatrais, das reportagens e das crônicas, sem a menor pretensão de esgotar o tema.

Todas estas atividades podem ser homenageadas com a designação de “artes”. No plano da vida cotidiana a arte é tudo o que é feito com esmero e chega a ser considerado “bem feito”. No entanto, são óbvias as diferenças existentes entre o caráter dessas produções da mão e do espírito. As peças artesanais, as tragédias de Shakeaspere, os jarros de cerâmica e os desenhos a lápis ocupam espaços bastante diversos na classificação de seus poderes “artísticos”. Um filme de Eisenstein, um romance de Balzac, uma moqueca de camarão pertencem a um todo que os torna parentes no espaço da expressão espiritual do ser humano. E isso independentemente das notórias diferenças que existem entre as obras de arte.

O leitor hesita, teme que o reconhecimento dessa diferença interna engendre desigualdades e fortaleça preconceitos. Mas não podemos deixar de indagar:

Mestre Vitalino, com suas figurinhas de barro, é um escultor tal qual Michelangelo?

A expressão mais vigorosa da arte é considerada aquela que proporciona ao sujeito humano um conhecimento especial de si mesmo. Ele aproveita a percepção sensível e mobiliza todos os seus recursos, reflexivos ou não, para se servir de todos os meios potencialmente úteis para o entendimento da realidade.

O sujeito na arte – digamos, na grande arte, para evitar dúvidas – só se interessa profundamente pela sua realidade específica. E como essa realidade é inesgotável, ele não pode desperdiçar a dimensão de descoberta, nem a dimensão de invenção. O que ele cria é algo que não existia antes. Mas não há dúvida de que passou a existir.

A complexidade do conhecimento, que abrange a integração constituída pela apreensão da realidade infinita, nos adverte contra os avanços exageradamente comemorados quando se festeja a aplicação da capacidade humana de conhecer simultaneamente a parte e o todo. O conhecimento avança se movendo em todas as trilhas que ele encontra ou inventa. A arte não se deixa reduzir à dimensão da sua pertinência no recurso à coleta de informações, por preciosas que sejam essas informações.

A arte, então, é ela própria uma fonte inesgotável de conhecimentos. Por isso, mesmo quando não estão travando lutas políticas, os artistas tendem a preocupar os donos do poder e são vistos com ameaças à ordem vigente.

FIM

Extraído do site Brasil de Fato
http://www.brasildefato.com.br/node/5385

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Entrevista com ex-oficial do exército israelita: "Criamos um monstro: a ocupação"



Yehuda Shaul, 28 anos, ex-oficial do exército israelita, é autor de “Breaking the Silence”, um livro acontecimento que será publicado em Janeiro, onde os combatentes do Tsahal contam o seu intolerável comportamento nos territórios ocupados em Gaza.


Entrevista de Catherine Schwaab/Paris Match.

O seu livro é uma bomba pelas suas revelações: que efeito concreto espera?


Yehuda Shaul: Espero poder enfim suscitar uma verdadeira discussão séria em Israel pois, desta vez, os nossos testemunhos são numerosos, verificados, incontestáveis: são 180 e tiramos deles uma análise, o que é novo.

Pensa que a opinião pública ignora o que significa a ocupação militar dos territórios palestinianos?

O público tem clichés na cabeça que incitam à aprovação cega. Por exemplo, em hebreu, a política israelita nos territórios ocupados resume-se a quatro termos que não se pode contestar: “sikkul” (a prevenção do terrorismo), “afradah” (a separação entre a população israelita e a população palestiniana), “mirkam hayyim” (o “fabrico” da existência palestiniana) e “akhifat hok” (a aplicação das leis nos territórios ocupados). Na realidade, sob esses nomes de código escondem-se terríveis desvios que vão do sadismo à anarquia e rejeitam os mais elementares direitos da pessoa. Isso vai até aos assassinatos de indivíduos inocentes que se calcula serem terroristas. E não falo das prisões arbitrárias e dos assédios de toda a espécie.

Qual é o objectivo disso?

Está claramente definido: é o de mostrar a presença permanente do exército, de produzir o sentimento de ser-se perseguido, controlado, em suma, trata-se de impor o medo a todos na sociedade palestiniana. Opera-se de maneira irracional, imprevisível, criando um sentimento de insegurança que quebra a rotina.

A ocupação dos territórios não será necessária para evitar “surpresas” terroristas?


Não! A ocupação sistemática não se justifica, pois ela abrange uma série de interdições e de entraves inadmissíveis. Queremos discutir sobre isso agora. Nem no seio do exército nem no seio da sociedade civil ou política se quer enfrentar a verdade. E essa verdade, é que nós criámos um monstro: a ocupação.

Pode esperar-se que discussões sérias sobre a paz melhorem a situação?

Não, tentar acabar com o conflito é uma coisa, acabar com a ocupação é outra. Estamos todos de acordo para procurar a paz, mas esquecemos a ocupação. Ora, é preciso começar por aí.

Os vossos testemunhos revelam a incrível impunidade de que beneficiam os colonos, verdadeiros assistentes militares: eles brutalizam os vizinhos palestinianos, levam os seus filhos à agressividade e ao ódio dos árabes...

Certamente, mas não são eles o problema. É o mecanismo de ocupação que lhes deu esse poder desmedido. Eu, quando era militar em Hebron, não podia deter um colono que estivesse a infringir abertamente a lei sob os meus olhos. Eles fazem parte desse sistema imoral.

Pensa encontrar um apoio na opinião israelita?

Por enquanto, somos minoritários mas optimistas! Temos de sê-lo, pois vivemos tempos sombrios, a opinião israelita é apática, as pessoas estão fartas. E o preço a pagar por esta ocupação não é pesado. É a razão por que não há vontade política. Em contrapartida, o preço moral é enorme.

É a primeira vez que são feitas tais revelações?

Não, há um ano, tínhamos contado as pilhagens na faixa de Gaza e tínhamos sido atacados por todos os lados: pelo exército, pela sociedade civil e a sociedade política. Netanyahu acusou-nos de termos “ousado quebrar o silêncio”. Mas que silêncio? É um silêncio vergonhoso sobre um escândalo estrondoso! Eles fizeram tudo para nos desacreditar. Saiu-lhes mal, pois nós somos todos antigos oficiais que vivemos esses acontecimentos terríveis.

Precisamente, muitos soldados e oficiais que se expressam parecem traumatizados pelo que tiveram de fazer. Um sofrimento que permanece.

Sim... Enfim, não nos enganemos: as vítimas, são os palestinianos que aguentam esse controlo. Hei-de sempre recordar a resposta de um comandante do exército durante uma discussão televisiva em 2004. Tínhamos organizado uma exposição de fotografias com um vídeo de testemunhos. Ele disse-me: “Concordo com o que vocês mostram, mas é assim, temos de aceitá-lo, isso chama-se crescer, tornar-se adulto”. Fiquei sem palavras.

Algumas pessoas pensam que Israel tem interesse em manter o conflito e que os palestinianos nunca terão as suas terras.

É falso. É impossível erradicar uma população de 3,5 milhões de habitantes. O problema não está em dar-lhes uma terra, mas na obsessão de querer controlá-los.

Serão as jovens gerações dos 20-30 anos mais permeáveis ao vosso ponto de vista?

Nem toda a minha geração está de acordo comigo, mas ninguém pode dizer que minto. Somos todos ex-membros do exército nacional, pagámos o preço, ganhámos o direito de falar. É preciso que os espíritos mudem a partir de dentro.

Você é judeu ortodoxo e tem um discurso estranhamente aberto. A sua fé ajuda-o neste combate?

Nem por isso... Mas eu sei o que significa ser judeu religioso: não ficar silencioso perante o que está mal. E quero trazer uma solução, não um problema.

FIM

Extraído do site português Esquerda.Net
http://www.esquerda.net/artigo/criámos-um-monstro-ocupação

Tradução de Comité de Solidariedade com a Palestina, versão original em: http://www.egaliteetreconciliation.fr/Un-officier-de-Tsahal-denonce-4957.html

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Discurso de despedida do Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva




Leia a íntegra do discurso do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante solenidade de despedida com servidores do governo e do Palácio do Planalto.


Não era, não era prudente e não é prudente eu falar, porque isso aqui está tendo um tom de despedida, e se despedir nunca é bom. Você trabalha onde, afinal de contas, Julinho? O Márcio também, ô... você, ô, Cléber. Você... Quem mantém o meu preparo físico assim é o Márcio, não é você. Vamos tirar uma foto com o Márcio aqui.

Eu vou dizer algumas palavras, eu vou fazer o esforço que o Gonçalves fez ontem, para não chorar. O Gonçalves se engasgou umas duzentas vezes, mas isso porque me parece que, na lógica do Exército, general que é general não chora. Aqui na minha lógica, é o seguinte: chora quem pode chorar, quem tem vontade de chorar e quem tem motivo para chorar.

Então, eu vou dizer para vocês uma coisa que... eu estou sem óculos aqui, ficou em cima da mesa. Depois dos 40 [anos] qualquer óculos serve, gente. Qualquer um, qualquer óculos. Gilberto Carvalho... está aqui. Eu quero ver, na segunda-feira, quando não tiver ajudante de ordens, quem virá trazer os óculos: Dona Marisa, pega meus óculos? "Vai pegar você!" Ô meu filho, pega um cafezinho para mim? "Não sou seu empregado!" E a vida continua, Guido.

Bem, eu vou ler para vocês, aqui, uma coisa que foi lida por mim em um programa de governo lançado aqui em Brasília, no dia 23 de julho de 2002. Vamos ver o que nós pensávamos no dia 23 de julho de 2002, quando nós estávamos lançando um caderninho bonito, que eu não sei se está por aí, com um garotinho, chamado Programa de Governo, que os nossos adversários tanto criticaram. Posso dizer, sem medo de errar, sem medo de errar, sem ler os dois programas, que eu vou passar para a história como o presidente da República que fez muito mais do que aquilo que estava no Programa de Governo de 2002 e no Programa de Governo de 2006.

Vai ser mais ou menos que nem a UNE, Fernando Haddad. A UNE teve que chegar para nós em Caruaru, em um ato público, e reconhecer que pela primeira vez na história do Brasil a UNE não tinha mais o que reivindicar, porque nós tínhamos atendido a todas as reivindicações da UNE.

Mas veja o que nós dizíamos: "Sempre tive a firme convicção de que a principal riqueza de uma nação é o seu povo. Por isso, não é difícil avaliar o sucesso ou o fracasso de um governo. Basta olhar para os salários e a renda do povo, ver se os índices de desemprego e desigualdade diminuíram e se a educação ficou de melhor qualidade. Governo bom é o que conduz o país ao crescimento e ao encontro da prosperidade. Nosso Programa de Governo tem como preocupação central apresentar mudanças de fundo para o nosso país. Não como um pacote fechado, mas aberto ao debate e às novas contribuições.

É impossível aceitar a ideia de uma nova década perdida, em que o governo diz que a economia está sólida, enquanto o povo vai mal. Esse é o debate que queremos fazer com toda a nação, pois temos certeza de que podemos mudar e melhorar o Brasil. Com os pés no chão e os olhos no futuro, vamos arregaçar as mangas desde o primeiro instante e realizar um novo contrato social que coloque o país nos trilhos do desenvolvimento. Essa é a única maneira de construir um Brasil decente onde todos, realmente todos tenham a dignidade que tanto queremos. 23 de julho de 2002, assinado: Luiz Inácio".

Era esse o programa. Era esse o programa, e vocês vão perceber que nunca antes na história do país... Eu gosto de falar "nunca antes" porque eu sei que tem adversários e gente que não gosta, que sofre quando eu falo. Como eles pensam que eu sofro quando eles falam mal de mim, então eu retribuo dizendo que nunca antes na história do país houve, dentre deste Palácio, nesta sala, a quantidade de movimentos sociais participando, falando, propondo e decidindo políticas que o governo brasileiro tinha que executar.

Foram 73 conferências nacionais, algumas das quais, mais de 400 mil pessoas participavam antes de chegar aqui neste plenário ou em qualquer outro lugar do Brasil. Numa demonstração de que esse é um legado que não poderá ser mudado tão cedo: que é não ter medo de ouvir o povo, não ter medo de deixar o povo participar, acabar com essa maluquice de o povo só ser bom na época da eleição, em que todo mundo anda de carro aberto, dando a mão, rindo que nem se tivesse ganhado na loteria sozinho; e depois que ganha as eleições, passa anos sem ter um convívio com o povo, governa para meia dúzia de ricos e esquece da maioria do povo, que são aqueles que realmente são a razão de ser de a gente ganhar uma eleição e governar este país, uma cidade ou um estado.

Eu penso que o Brasil mudou. O Brasil mudou na relação com a sociedade. Nunca os humildes foram tratados com tanta deferência como foram tratados. E, certamente, continuarão a ser pela nossa companheira Dilma. Nunca os estudantes e os professores foram tratados com o respeito que foram tratados. Eu falo isso porque demonstra o grau de maturidade que o Brasil alcançou. Nenhum presidente da República tinha tido coragem de fazer reuniões com reitores; quando muito, se reuniam com um. Mesmo o ministro da Educação sendo reitor, parecia que tinha uma doença do carrapato, que o ministro não se juntava com dois reitores; de vez em quando, atendia um.

Vocês estão lembrados de que neste país nem prefeito era recebido. Vocês estão lembrados de que Marcha de Prefeitos... o que esperava os prefeitos aqui, mesmo sendo dos partidos de quem governava, eram cachorros policiais, e policiais. Nós fomos a todas às Marchas dos Prefeitos, a todas, sem distinção. Só não fui na de 2006 porque eles transformaram a Marcha em um debate político da campanha presidencial, e eu não fui.

Mas fomos, e posso olhar na cara de qualquer pessoa, de qualquer prefeito, seja ele do DEM, seja ele do PT ou do PSDB, seja do PMDB ou do PC do B. Eu duvido que, em algum momento da história, eles foram tratados com a dignidade que o nosso governo os tratou, da forma mais republicana. Era tão republicano o tratamento, que o PT ficava com raiva do tratamento que a gente dava aos outros partidos políticos. Muitas vezes, eu era acusado de que gostava mais dos outros do que dos companheiros do PT. E, assim, eu penso que nós conseguimos construir alguma coisa nova.

Veja, eu tinha vontade de governar o Brasil. Em [19]82, eu participei de um debate, eu era candidato a governador em São Paulo, e eu fiquei em quarto lugar, não é isso, Padilha? Quarto lugar. Eu pensei que eu ia ganhar, eu não acreditava em pesquisas. Nós fizemos o maior comício que alguém já fez no Pacaembu. Eu saí de lá convencido de que a eleição estava no papo. Aí, saiu uma pesquisa do Ibope, publicada pelo jornal Estadão, em que eu ia ter 10%. Eu falei: Está mentido. Nós vamos ganhar. Depois da apuração, eu tive exatamente 10%. Eu estava desconfiado de que eles já tinham meus votos lá, guardados, para poder... Mas, de qualquer forma, naquele debate era o Montoro, o Reinaldo de Barros, o Jânio Quadros, eu, e o Rogê Ferreira, do PDT. Eu não fui o último porque o Rogê teve menos votos do que eu, mas eu tive 1,250 milhão votos.

Eu achei que eu estava arrasado. Eu, Jorge Hage, saí daquela eleição achando que tinha acabado com a minha vida, isso em [19]82. Em [19]85, eu fui a Cuba e, em uma conversa com o presidente Fidel Castro, eu estava dizendo para ele que eu tinha desanimado porque eu tinha perdido uma eleição. O Fidel olhou para mim e falou o seguinte: "Ô, Lula, em que lugar do Planeta um operário metalúrgico teve 1,250 milhão de votos? Em que lugar? Não existe nenhum lugar do mundo que um metalúrgico, operário de fábrica tenha tido 1,250 milhão de votos. Que história de perder é essa, Lula?" E aí eu saí de lá convencido de que eu não tinha perdido, que eu tinha fincado uma estaca, uma estaca cheia de consciência, uma estaca cheia de ideias, uma estaca cheia de motivação que foi se multiplicando, se multiplicando, se multiplicando.

E as coisas contra o PT sempre foram muito difíceis. Vocês não sabem, mas o primeiro comício de eleições diretas neste país foi o PT que fez, no Pacaembu, no Pacaembu. Eu não sei qual foi a data de dezembro de [19]83, mas eu lembro que foi no dia em que o Fernando Henrique Cardoso foi ao Pacaembu anunciar a morte do Teotônio Vilela. E o Montoro era governador de São Paulo, foi convidado para o ato pelas Diretas e não foi. Tinha uma corrida no Jockey Club, acho que ele foi ao Jockey, uma festa lá, um negócio daqueles, que é melhor do que participar de ato público. E o Fernando Henrique Cardoso foi lá, até saiu chateado porque foi vaiado. Naquele tempo, petista vaiava até o Hino Nacional. A gente, para não ser vaiado, a gente falava: "Olha, eu sou de vocês, não me vaiem, não".

Então, foi nesse dia que nós começamos a campanha das Diretas. Até hoje, quando a grande imprensa fala da eleição direta ou conta história das Diretas, esse ato não é lembrado. Saiu, me parece que apenas numa revista, parece que a IstoÉ muito tempo atrás publicou uma notinha de que tinha sido feito esse ato, pelo PT.

Então, nós sempre tivemos muita dificuldade. E naquele debate para campanha de governador, perguntaram para mim: "Ô Lula, por que você quer ser candidato?". Eu disse: Porque eu quero ver se eu tenho competência de fazer aquilo que eu reivindico para os outros. Eu tinha convicção, eu não conhecia pessoalmente todo mundo, mas eu via pela televisão os presidentes da República, eu via os discursos dos presidentes da República, e eu falava: Eu posso fazer mais que eles.

Quando veio a campanha de [19]89, eu descobri uma coisa sagrada na minha vida, eu descobri que eu não conhecia o Brasil, e nenhum candidato conhece o Brasil. Normalmente, se o cara é de São Paulo, do Rio de Janeiro, de Minas Gerais, ele sai de uma cidade, vai no palanque, volta do palanque para o aeroporto. Ele não vê nem a cara do povo, ele não aprende nem os nomes das pessoas que estão em cima do palanque.

Eu falei: Eu vou conhecer este país. Se eu quiser governar este país, eu vou conhecer. Percorri 91 mil quilômetros de trem, de barco, de ônibus, Marisa e todos os filhos juntos, em todas as caravanas, cada uma demorava 14 ou 15 dias, parando em cada lugar, conversando com cada pessoa, recebendo pauta de reivindicação. E tudo aquilo, em cada lugar que a gente andava, de um ônibus... se era de ônibus, entre uma cidade e outra tinha uma palestra sobre a região, tinha uma palestra sobre a cidade. Era a universidade, era a pós-graduação que eu não tive, eu tive nas Caravanas da Cidadania para me preparar para chegar a presidente da República.

Eu penso que vocês poderão dizer - e agora sem nenhuma modéstia, com orgulho - que vocês poderão dizer que vocês participaram de um momento histórico deste país, em que a história deste país mudou, a autoestima do povo mudou, a vida do povo mudou, mesmo sabendo que ainda tem muito para fazer. Porque a gente não consegue mudar em oito anos os desmandos de 500 anos, a gente não consegue, vai precisar mais alguns anos para que a gente possa consolidar.

Mas já é motivo de orgulho vocês dizerem que participaram de um governo que, em oito anos, fez mais escolas técnicas no Brasil do que todas que foram feitas em um século de República, todas. Nós fizemos, em oito anos, uma vez e meia o que foi feito em cem anos. Embora eu e o Zé Alencar não tenhamos diploma universitário, nós vamos passar para a história como os presidentes que mais fizemos universidades neste país; que mais criamos extensões universitárias; que criamos o ProUni, que é uma das grandes revoluções na Educação neste país; que já criamos 10 mil escolas de tempo integral, com 2,2 milhões de jovens e crianças estudando e aprendendo música.

E, se Deus quiser, a Dilma vai fazer muito mais, porque o carro não está estacionado, o carro está andando. É só apertar um pouquinho o acelerador, fazer o Guido abrir um pouquinho a mão, liberar um pouco mais de dinheiro, que a coisa vai fluir com muito mais facilidade.

Então, este país vocês ajudaram a construir. Eu estava vendo aqui a apresentação do Escav [Escalão Avançado]. Vocês que estavam, a maioria, não sabem da briga que eu tinha com o Joseli por causa dos helicópteros, da briga que eu tinha com o Gonçalves por causa dos carros, da briga que eu tinha com a Iti por causa da agenda, da briga que eu tinha com várias pessoas, do Bigode, do Wagner, do Magela, da Fátima, e de tanta gente, quando eu chegava em um lugar, que tinha uma manifestação, uma. Nós não precisamos utilizar violência em nenhum ato público, em oito anos de mandato. A maior violência que a gente fez era mandar o Bigode na frente, era mandar o Magela na frente, era mandar o Wagner na frente, mandar a Fátima na frente, ou seja, mandar um grupo de companheiros que conversavam, que discutiam, que marcavam reunião.

O único ato de violência que eu vi, em um ato de que eu participei, foi em Sorocaba quando nós fomos inaugurar uma universidade. Era uma universidade provisória porque a gente estava começando a construir e a gente tinha alugado um prédio, e os estudantes de São Carlos foram a Sorocaba para não deixar a gente inaugurar a universidade. Mas não foi um ato de violência do general Gonçalves Dias, do presidente Lula não, foi um ato de violência dos catadores de papel e dos metalúrgicos, que se insurgiram contra os estudantes que não queriam deixar os filhos deles entrarem na escola. Aí, saiu uma brigazinha, quando nós chegamos estava tranquilo. E os estudantes gritavam: "Ô Lula, a repressão aqui, Lula". Eu falava: repressão de catador de papel pode, o que não pode é repressão de cima para baixo; de baixo para cima, de vez em quando, até que ela pode acontecer.

Bem, o general Gonçalves, todas as vezes que nós conversávamos: General, eu não quero que a nossa segurança oficial levante um dedo para uma pessoa. Quem tem que fazer isso é o nosso pessoal, lá embaixo, e não os nossos seguranças. E vamos terminar oito anos, eu diria, como exemplo.

É engraçado porque eu reclamava muito, e eu quero pedir desculpas a vocês porque eu reclamava dentro do avião, eu reclamava com a agenda, eu reclamava... aí, quando eu chegada no local, tinha lá um tapetinho vermelho para eu subir, tinha a maquininha de café expresso para eu tomar, tinha um microfone instalado, um copinho d’água. E eu falava: tem gente, que eu não conheço, que está fazendo isso. Eu, às vezes, estava viajando para o exterior, e parecia que só estava eu e a turma que tinha ido comigo.

Aí, eu percebia que tinha mais gente estranha, porque quando eu abria a porta de manhã para sair para o evento, saía um magote de gente atrás de mim, que eu não sabia de onde tinha aparecido. Cada vez que eu descia do avião, descia um monte de gente diferente, eu falava: "Ô Poc, ô Márcio, quem é essa gente que está aí?" Eu, na verdade, na verdade, uma coisa importante: é importante que a gente não saiba quem é que está na retaguarda da gente, porque se a gente souber, a gente vai começar a querer dar palpite na vida de vocês e a gente pode atrapalhar as coisas que vocês sabem fazer tão bem.

Eu estou convencido de que se nós conseguirmos repetir no governo da companheira Dilma Rousseff a qualidade da assessoria que vocês prestaram a mim, nós não temos medo de disputar uma medalha de ouro com o Obama, com o Hu Jintao, com o Sarkozy, com Angela Merkel, com quem quiser, porque a nossa turma é mais criativa. E uma coisa, uma coisa é importante: é que a nossa turma tem sentimento. Não foram poucas as vezes - e não pensem que eu não fico olhando, porque se tem uma coisa que eu aprendi a fazer é falar olhando para todo mundo - quantas vezes eu vi pessoas com os olhos lacrimejando. O Bigode, então, já não aguentava mais, o Bigode cafungava de chorar, aquela bengala é de peso das lágrimas, de tanto que ele... Não aguentava mais.

Então, eu quero dizer para vocês, gente, o seguinte, olhem: eu consegui falar sem me emocionar, por isso que eu brinquei aqui um pouco. Dizer para vocês, olha, que eu saio daqui daqui a pouco, não é, Gilberto? Não tem mais nada, não. Eu saio daqui a pouco, vou para casa descansar. Às 6 horas da tarde, ou às 7 horas, não sei quando, eu vou dar uma passadinha na Granja do Torto para visitar a companheira Dilma, vou para casa descansar.

Amanhã, às 4 horas, passarei a faixa para a Dilma. Se ela vacilar eu saio correndo, quero ver ela correr atrás de mim na Esplanada, atrás daquela faixa. Por isso é que eu me preparei fisicamente, ela disse que parou de andar, então ela vai estar menos preparada do que eu, fisicamente.

E sairei daqui com duas convicções. Com a convicção de que cumpri com o dever e cumpri com aquilo que foi a confiança que o povo brasileiro depositou em mim, e que conseguimos fazer uma pequena... duas pequenas revoluções neste país: a primeira, o povo brasileiro provar que era possível eleger um metalúrgico, e esse metalúrgico provar que sabe governar mais do que muita gente que tinha um monte de diplomas, neste país. Segundo, eleger pela primeira vez uma mulher presidenta da República deste país.

Vocês não sabem o orgulho que eu tenho disso, porque dois anos atrás, quando eu comecei a insinuar que a Dilma seria candidata, muita gente dizia: "Mas uma mulher, ela não tem experiência, Presidente, ela não participa de política, ela nunca foi deputada." Ou seja, as pessoas viam como defeito exatamente aquilo que eu via de qualidade, exatamente aquilo que eu via de qualidade. Eu não queria um deputado, eu não queria um prefeito, eu queria ela. Por quê? Porque eu tinha trabalhado com ela e eu conhecia as qualidades, a personalidade dela e a competência gerencial dela.

Então eu queria, gente, dizer para vocês o seguinte: eu acho que vocês devem dedicar à companheira Dilma o mesmo amor, o mesmo carinho e a mesma vontade que vocês tiveram no meu governo. Nós somos diferentes, temos formações diferentes, ela é mulher, eu sou homem, cada um tem o seu gênio. O que está em jogo, nessa verdade, é este país. Este país aprendeu a ter orgulho de si próprio, o nosso povo voltou a gostar da bandeira nacional, o nosso povo voltou a cantar o nosso hino nacional, o nosso povo aprendeu a ter autoestima, o nosso povo aprendeu a gostar de coisa boa, de coisa... porque durante muito tempo diziam que pobre só gostava de coisas de segunda classe, pobre só ia à feira para pegar xepa. E não! A gente aprendeu que, se a gente puder, a gente quer comer do bom e do melhor, que vestir do bom e do melhor, quer morar do bom e do melhor.

Ontem, quando eu ia chegando aqui, tinha um companheiro que trabalha com o Gabas, que ele ia viajar e não foi viajar para vir aqui me contar o seguinte: "Presidente, quando o senhor ganhou, eu era vigia, não tinha casa, não tinha nada, não tinha nem mulher. Agora, Presidente, depois de oito anos o senhor vai embora, eu casei, tenho dois filhos, tenho carro e tenho mulher". E, certamente, tem um computador lá dentro, porque já virou paixão.

Então, gente, isso eu tenho consciência de que eu só fiz, eu só fiz porque eu tinha o povo brasileiro e eu tinha a energia, a compreensão e o carinho de vocês. Por isso, muito obrigado por tudo o que vocês me ajudaram a fazer neste país.

Muito obrigado.

Fonte ENVOLVERDE: http://www.envolverde.com.br/materia.php?cod=85163&edt=1

Foto Flickr: http://www.flickr.com/photos/aloiziomercadante/5099716983/sizes/z/

sábado, 1 de janeiro de 2011

Valeu, Lula: uma homenagem, não um adeus ! EU APLAUDO O LULA!

Por Igor Natusch

Nunca antes na história deste país a despedida de um ex-presidente causou tanta comoção. Ao contrário das cerimônias de posse anteriores, nas quais todos os holofotes dirigiam-se ao empossado, as atenções de todos estiveram, no mínimo, divididas. Ao mesmo tempo que Dilma Rousseff tomava posse dos destinos do Brasil, o agora ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixava para trás oito anos de governo, com índices de aprovação inéditos em todo o mundo. E os acontecimentos de 1º de janeiro de 2011 refletiram claramente isso, com a partida de Lula causando tanta atenção (ou, às vezes, até mais) do que a chegada de Dilma ao Planalto.

Lula aguardava a nova presidenta ao topo da rampa do Palácio do Planalto, sorridente, envergando a faixa presidencial pela última vez. Aplaudiu o comboio que trazia Dilma, e acenou repetidamente para o povo que se aglomerava na Praça dos Três Poderes. Recebeu a nova presidenta com um abraço, e passou a faixa de maneira rápida, mas atenciosa. Logo em seguida, afastou-se para que a recém-empossada realizasse o discurso no parlatório. Lula ficou no Salão Leste, trocando algumas palavras com os líderes estrangeiros que, logo após a fala da nova presidenta, prestariam homenagens a Dilma Rousseff.

Enquanto Dilma recebia os cumprimentos das autoridades internacionais presentes à posse, ia sendo formado, aos pés da rampa do Planalto, o comboio que conduziu Lula à Base Aérea de Brasília. A nova presidenta, em um gesto que fugiu ao protocolo da posse, acompanhou o ex-presidente na descida da rampa do Planalto. Dilma Rousseff fez o caminho ao lado de Lula e sua mulher, Marisa, de braços dados com seu antecessor na Presidência.

Depois da descida, Dilma retornou ao Planalto, para cumprir o ritual da posse de seu ministério. Enquanto isso, Lula recebia dos populares presentes à cerimônia uma atenção poucas vezes dada a um ex-presidente. Pessoas acotovelavam-se para chegar mais próximos do ex-presidente. Fotógrafos e cinegrafistas lutavam para fazer a melhor imagem da saída de Lula. O político, por sua vez, cumprimentou alguns populares, acenando e sorrindo enquanto tentava vencer a multidão e embarcar no veículo que o levaria para o voo até São Paulo.

Tema da vitória e hino do Corinthians

Na hora do embarque, mais emoção e cumprimentos. Ao fundo, a banda tocava “Amigos para Sempre” e o Tema da Vitória. Portando celulares e máquinas fotográficas, muitos tentavam registrar as últimas imagens, enquanto Lula, já sem gravata, tentava embarcar no avião da FAB. Aos gritos de “Lula, Lula”, o ex-presidente abraçava todos, tentando manter o bom humor. Posou para fotos ao lado de seus assessores. A banda mudou o tema musical para o hino do Corinthians, time de coração de Lula. Apenas às 18h22, depois de quase uma hora na Base Aérea, as portas do jato foram fechadas e o ex-presidente pôde rumar para sua residência pessoal, em São Bernardo do Campo (SP).

Antes da decolagem, Lula permitiu-se um último gesto para os presentes. Foi até a cabine do comandante, abriu a janela e acenou repetidas vezes para os que aguardavam a decolagem, lembrando o gesto dos jogadores da Seleção Brasileira, quando retornaram ao país como pentacampeões mundiais. Da capital federal, o ex-presidente seguiu para São Paulo, onde visitaria seu vice-presidente. José Alencar, internado para recuperar-se de complicações de câncer no intestino. Dali, o presidente partiria para São Bernardo do Campo (SP). Os petistas montaram em frente ao apartamento do ex-presidente um palco para recebê-lo e homenageá-lo. Lula deverá descansar na praia do Guarujá, litoral paulista.