segunda-feira, 12 de outubro de 2009

A recuperação econômica é uma ilusão

O Bank for International Settlements (BIS) adverte de crises futuras

por Andrew Gavin Marshall [*]

Guerra é paz, liberdade é escravidão, ignorância é força e dívida é recuperação

À luz das sempre presentes e obstinadamente persistentes manifestações do desejo de "um fim" para a recessão, de uma "solução" para a crise e de uma "recuperação" da economia, devemos recordar que aqueles que nos falam disso são exactamente as mesmas pessoas e instituições que nos disseram, nos últimos anos, que não havia "nada com que se preocupar", que "os fundamentos estão óptimos" e que "não havia perigo" de uma crise económica.

Por que continuamos a acreditar nas mesmas pessoas que estavam, tanto nas suas declarações como opções, absolutamente erradas? Em quem deveríamos acreditar e recorrer para informação e análise mais precisa? Talvez uma fonte útil fosse aqueles no epicentro da crise, no coração do mundo sombrio da banca central, no regulador bancário global e na "mais prestigiosa instituição financeira do mundo", a qual previu exactamente a crise: o Bank for International Settlements (BIS). Seria um bom lugar para começar.

A crise económica está muito longe de ultrapassada, as "soluções" têm sido semelhantes a colocar band-aids sobre um braço amputado. O Bank for International Settlements (BIS), o banco central dos bancos centrais do mundo, advertiu e continua a advertir contra tais esperanças deslocadas.

O que é o Bank for International Settlements (BIS)?

O BIS nasceu do Young Comittee estabelecido em 1929, o qual foi criado para manusear as liquidações dos pagamentos de reparações alemães estabelecidas no Tratado de Versalhes de 1919. O Comité era encabeçado por Owen D. Young, presidente e administrador executivo da General Electric, co-autor do Plano Dawes de 1924, membro do Board of Trustees da Fundação Rockefeller e vice-presidente do Banco da Reserva Federal de Nova York. Como principal delegado americano à conferência sobre as reparações alemãs, ele foi acompanhado também por J.P. Morgan, Jr. [1] O que resultou foi o Plano Young de pagamentos das reparações alemãs.

O Plano Young entrou em vigor em 1930, a seguir ao crash do mercado de acções. Parte do Plano implicava a criação de uma organização internacional de liquidação, a qual foi constituída em 1930 e passou a ser conhecida como Bank for International Settlements (BIS). O banco foi concebido aparentemente para facilitar e coordenar os pagamentos das reparações da Alemanha de Weimar às potências aliadas. Contudo, a sua função secundária, que é muito mais secreta e muito mais importante, era actuar como "um coordenador das operações de bancos centrais de todo o mundo". Descrito como "um banco para bancos centrais", o BIS "é uma instituição privada com accionistas mas faz operações para agências públicas. Tais operações são mantidas estritamente confidenciais de modo que o público habitualmente está inconsciente da maior parte das operações do BIS. [2]

O BIS foi fundado pelos "bancos centrais da Bélgica, França, Alemanha, Itália, Holanda, Japão e Reino Unido juntamente com três importantes bancos comerciais dos Estados Unidos, incluindo J.P. Morgan & Company, First National Bank of New York e First National Bank of Chicago. Cada banco central subscreveu 16 mil acções e os três bancos dos EUA também subscreveram este mesmo número de acções". Contudo, "Apenas bancos centrais têm poder de voto". [3]

Membros de bancos centrais têm reuniões bi-mensais no BIS onde discutem uma variedade de questões. Deveria observar-se que a maior parte "das transacções executadas pelo BIS em nome de bancos centrais exige o segredo absoluto" [4] , razão pela qual a maior parte das pessoas nem mesmo ouviu falar disso. O BIS pode proporcionar aos bancos centrais "confidencialidade e segredo o que é mais valioso do que um banco classificado com um triplo A". [5]

O BIS foi estabelecido "para remediar o declínio de Londres como o centro financeiro do mundo, proporcionando um mecanismo pelo qual um mundo com três centros financeiros principais, em Londres, Nova York e Paris, ainda pudesse operar como um único". [6] Como explicou Carroll Quigley:

As potências do capitalismo financeiro têm outro objectivo de longo alcance, nada menos do que criar um sistema mundial de controle financeiro em mãos privadas capaz de dominar o sistema político de cada país e a economia do mundo como um todo. Este sistema seria controlado de um modo feudal pelos bancos centrais do mundo, a actuarem em concertação, por acordos secretos obtidos em frequentes reuniões privadas e conferências. A cúspide do sistema deveria ser o Bank for International Settlements, na Basiléia, Suíça, um banco privado possuído e controlado pelos bancos centrais do mundo os quais eram eles próprios corporações privadas. [7]

O BIS é sem dúvida a mais importante, poderosa e secreta instituição financeira do mundo. As suas advertências não deveriam ser tomadas com ligeireza, pois é a única instituição do mundo que dispõe de tal informação – mais do que qualquer outra.

Crise de derivativos pela frente

Em Setembro de 2009 o BIS informou que "O mercado global para derivativos deu um salto para US$426 milhões de milhões (trillion) no segundo trimestre quando retornou o apetite pelo risco, mas o sistema permanece instável e tendente a crises". O relatório trimestral do BIS disse que os derivativos subiram 16% "devido principalmente a uma alta em futuros e contratos de opção sobre taxas de juros a três meses". O Economista Chefe do BIS advertiu que o mercado de derivativos apresenta "grandes riscos sistémicos" no sector das finanças internacionais e que "O perigo é que os reguladores fracassem outra vez em ver que grandes instituições assumiram muito mais exposição do que podem manusear em condições de choque". O economista acrescentou que "A utilização de derivativos pelos hedge funds e seus semelhantes pode criar grandes exposições ocultas". [8]

No dia seguinte após a publicação do relatório do BIS, o antigo Economista Chefe do BIS, William White, advertiu que "O mundo não cuidou dos problemas no cerne da baixa económica e é provável que deslize outra vez dentro da recessão" e novamente "advertiu que acções de governos para ajudar a economia no curto prazo podem estar a lançar as sementes para crises futuras". Ele foi citado como a advertir da entrada numa recessão de duplo mergulho: "Estaremos nós a ir para uma recessão [em forma] de W? Quase certamente. Estamos a ir para uma em L? Eu não ficaria nem ligeiramente surpreendido". E acrescentou: "A única coisa que realmente me surpreenderia seria uma recuperação rápida e sustentável da posição em que estamos".

Um artigo no Financial Times explicava que os comentários de White não devem ser tomados com ligeireza, pois além de encabeçar o departamento económico do BIS de 1995 a 2008 ele "reiteradamente advertiu de perigosos desequilíbrios no sistema financeiro global já em 2003 e – rompendo um grande tabu nos círculos da banca central naquele tempo – ele ousou desafiar Alan Greenspan, então presidente do Federal Reserve, sobre a sua persistente política de dinheiro barato".

O Financial Times continuava:

À escala mundial, bancos centrais bombearam milhões de milhões de dólares de dinheiro novo dentro do sistema financeiro ao longo dos últimos dois anos num esforço para impedir uma depressão. Enquanto isso, governos foram a extremos semelhantes, aceitando a responsabilidade de vastos montantes de dívida para impulsionar indústrias, desde a banca à fabricação de carros.

White advertiu que "Estas medidas podem estar já a inchar uma bolha em preços de activos, desde acções a commodities" e que "havia um pequeno risco de que inflação ficasse fora de controle no médio prazo". Num discurso pronunciado em Hong Kong, White explicou que "os problemas subjacentes na economia global, tais como desequilíbrios comerciais insustentáveis entre os EUA, a Europa e a Ásia, não foram resolvidos". [9]

Em 20 de Setembro de 2009, o Financial Times informou que o BIS, "a cabeça do corpo que supervisiona a regulação bancária global", durante a cimeira G20, "emitiu uma severa advertência de que o mundo não pode permitir-se escorregar para uma suposição 'complacente' de que o sector financeiro recuperou-se bem" e que "Jaime Caruana, administrador-geral do Bank for International Settlements e antigo governo do banco central da Espanha, afirmou que a recuperação do mercado não deveria ser mal interpretada". [10]

Isto se segue a advertências do BIS durante o Verão de 2009, respeitantes às falsas esperanças com os pacotes de estímulo organizados por vários governos de todo o mundo. No fim do Junho, o BIS advertiu que "pacotes de estímulo fiscal não podem proporcionar mais do que um impulso temporário ao crescimento e serem seguidos por um extenso período de estagnação económica".

Um artigo no Australian informava que "O único corpo internacional a prever correctamente a crise financeira ... advertiu que o maior risco é que governos possam ser forçados pelos investidores em títulos do mundo a abandonar os seus pacotes de estímulo e ao invés disso reduzir drasticamente despesas elevando ao mesmo tempo impostos e taxas de juros", pois o relatório anual do BIS "tem nos últimos três anos estado a advertir acerca dos perigos de uma repetição da depressão". Além disso, "O seu último relatório anual advertia que países como a Austrália enfrentavam a possibilidade de uma corrida contra a sua divisa, a qual forçaria as taxas de juro a elevarem-se". O BIS advertia que "um alívio temporário pode tornar mais difícil às autoridades adoptarem as acções que são necessárias, ainda que impopulares, para restaurar a saúde do sistema financeiro, e portanto pode acabar por prolongar o período de crescimento lento".

E acrescenta: "Ao mesmo tempo, as garantias do governo e o seguro de activo expuseram os contribuintes a perdas potencialmente grandes" e, explicando como pacotes fiscais apresentavam riscos significativos, dizia que "Há um perigo de que decisores fiscais venham a exaurir a sua capacidade de endividamento antes de finalizar a tarefa custosa de reparar o sistema financeiro" e que "Há a possibilidade definida de que programas de estímulo conduzam para cima taxas de juro e expectativas de inflação". A inflação "intensificar-se-ia quando o período de retracção diminuísse" e o BIS "exprimiu dúvida acerca do pacote de resgate bancário adoptado nos EUA" [11]

O BIS advertiu novamente quanto à inflação, dizendo que "A grande e justificável preocupação é que, antes que ela possa ser revertida, a dramática facilitação na política monetária traduzir-se-á no crescimento de amplos agregados monetários e de crédito". Isto "levará à inflação que alimenta expectativas de inflação ou pode servir de combustível para ainda outra bolha de preços de activos, lançando as sementes do ciclo de crescimento e queda seguinte". [12] Como o último relatório sobre a bolha de derivativos que está a ser criada, tornou-se penosamente claro que foi exactamente isto o que aconteceu: a criação de outra bolha de preço de activos. O problema com bolhas é que elas estouram.

O Financial Times informou que William White, ex-Economista Chefe do BIS, "argumentou que após dois anos de apoio governamental ao sistema financeiro, agora temos um conjunto de bancos que são ainda maiores e mais perigosos do que antes", o que também "foi argumentado por Simon Johnson, ex-economista chefe do Fundo Monetário Internacional", o qual "afirma que a indústria financeira capturou efectivamente o governo dos EUA" e declarou enfaticamente: "a recuperação fracassará a menos que rompamos a oligarquia financeira que está a bloquear a reforma essencial". [13] [Negrito acrescentado].

No princípio de Setembro de 2009, banqueiros centrais encontraram-se no BIS e foi informado que "haviam acordado num pacote de medidas para fortalecer a regulação e a supervisão da indústria bancária na esteira da crise financeira" e o chefe do Banco Central Europeu foi citado como tendo dito: "Os acordos alcançados hoje entre 27 dos principais países do mundo são essenciais pois eles estabelecem novos padrões para a regulação e supervisão bancária a nível global". [14]

Dentre as medidas acordadas, "os prestamistas deveriam elevar a qualidade do seu capital com a inclusão de mais stock" e "os bancos também terão de elevar o montante e a qualidade dos activos que mantêm em reserva e conter a alavancagem". Uma das decisões tomadas na conferência de Basiléia, a qual foi nomeada depois de o Comité da Basiléia sobre Supervisão Bancária, estabelecido sob o BIS, foi que "os bancos precisarão elevar a qualidade do seu assim chamado Nivel 1 (Tier 1) do capital de base, o qual mede a capacidade de um banco absorver perdas súbitas", significando que "A maioria de tais reservas deveria ser acções ordinárias e rendimentos retidos e os haveres serão plenamente revelados". [15]

Em meados de Setembro, o BIS afirmou que "Os bancos centrais devem coordenar a supervisão global das câmaras de compensação de derivativos e considerar oferecer-lhes acesso a fundos de emergência para limitar o risco sistémico". Por outras palavras, "Os reguladores estão a pressionar para que grande parte dos US$592 milhões de milhões (trillion) do mercado livre de derivativos seja movido para câmaras de compensação as quais actuam como o comprador para todo vendedor e como vendedor para todo comprador, reduzindo o risco de incumprimentos para o sistema financeiro". O relatório divulgado pelo BIS perguntava se câmaras de compensação "deveriam ter acesso a facilidades de crédito de bancos centrais e, em caso afirmativo, quando?" [16]

Uma crise que se aproxima

O mercado de derivativos representa uma ameaça maciça para a estabilidade da economia global. Contudo, é uma entre muitas ameaças, todas elas relacionadas e entrelaçadas; uma a actuar sobre a outra. O grande elefante na sala é a principal bolha financeira criada pelos pacote de salvamentos e "estímulos" pelo mundo todo. Este dinheiro foi utilizado pelos bancos principais para consolidar a economia; comprando bancos mais pequenos e absorvendo a economia real, a indústria produtiva. O dinheiro também foi para a especulação, alimentando a bolha de derivativos e levando a uma ascensão dos mercados de acções, uma ocorrência completamente ilusória e fabricada. Os salvamentos, com efeito, alimentaram a bolha dos derivativos elevando-a a novos níveis perigosos bem como incharam o mercado de acções para uma posição insustentável.

Contudo, uma ameaça maciça assoma devido aos salvamentos e aos chamados pacotes de "estímulo". A crise económica foi criada devido às baixas taxas de juro e ao dinheiro fácil: empréstimos de alto risco estavam a ser efectuados, dinheiro era investido em qualquer coisa e em tudo, o mercado habitacional inchado, o mercado do imobiliário comercial inchado, o comércio de derivativos ergueu-se para as centenas de milhões de milhões (trillions) por ano, a especulação corria desenfreada e dominava o sistema financeiro global. Os hedge funds foram os facilitadores receptivos do comércio de derivativos e os grandes bancos foram os principais participantes e possuidores dos mesmos.

Ao mesmo tempo, os governos gastaram dinheiro perdidamente, especificamente os Estados Unidos, pagando guerras e orçamentos de defesa de múltiplos milhões de milhões de dólares, imprimindo dinheiro a partir do nada, cortesia do sistema global de banca central. Todo o dinheiro que foi produzido, por sua vez, produziu dívida. Em 2007, a dívida total – interna, comercial e do consumidor – dos Estados Unidos elevava-se a uns chocantes US$51 milhões de milhões. [17]

Como se este fardo da dívida não fosse bastante, considerando que seria impossível alguma vez pagá-la de volta, os últimos dois anos viram o mais expansivo e rápido crescimento da dívida alguma vez já visto na história mundial – na forma de pacote de estímulos e de salvamentos por todo o mundo. Em Julho de 2009 informou-se que "os contribuintes dos EUA podem estar pendurados por tanto quanto US$23,7 milhões de milhões para promover a economia e salvar companhias financeiras, disse Neil Barofsky, inspector geral especial do Programa de alívio de activos perturbados (Troubled Asset Relief Program, TARP) do Tesouro". [18]

O Plano Bilderberg em acção?

Em Maio de 2009 escrevi um artigo cobrindo a reunião de Bilderberg de 2009, uma reunião altamente secreta das principais elites da Europa e da América do Norte, que se encontram uma vez por ano a portas fechadas. Bilderberg actua como um think tank internacional informal e eles não divulgam qualquer informação. Assim, relatos das reuniões são fugas e as fontes não podem ser verificadas. Contudo, as informações proporcionadas pelos investigadores de Bilderberg e jornalistas, como Daniel Estulin e Jim Tucker, demonstraram-se surpreendentemente precisas no passado.

Em Maio, a informação escapada das reuniões respeitava ao principal tópico da conversação e era, não surpreendentemente, a crise económica. A grande questão era assegurar "Ou uma depressão prolongada e agonizante que assombraria o mundo com décadas de estagnação, declínio e pobreza ... ou uma depressão intensa mas mais curta que pavimentasse o caminho para uma nova ordem económica mundial sustentável, com menos soberania mas mais eficiência".

É importante notar que um ponto importante da agenda foi "continuar a enganar milhões de poupadores e investidores que acreditam no alarde acerca da suposta viragem na economia. Eles estão prestes a serem submetidos a perdas maciças e doloroso sofrimento financeiro nos próximos meses".

Estulin informou acerca do vazamento de um relatório que afirmou ter recebido a seguir à reunião, o qual relativa que houve grandes desacordos entre os participantes, pois "Os radicais duros são pelo declínio dramático e uma severa depressão de curto prazo, mas há aqueles que pensam terem as coisas ido longe demais e que as consequências do cataclismo económico global não podem ser calculadas com precisão". Contudo, a visão de consenso era que a recessão ficaria pior e que a recuperação seria "relativamente lenta e prolongada" e tais expressões surgiram na imprensa nas semanas e meses seguintes. De facto, tais expressões apareceram ad infinitum nos media globais.

Estulin informou também "que alguns dos principais banqueiros europeus confrontados com o espectro da sua própria mortalidade financeira estão extremamente preocupados, chamando isto de perigoso equilibrismo 'insustentável' e dizendo que défices orçamentais e comerciais dos EUA poderiam resultar na morte do dólar". Um participante de Bilderberg disse que "os próprios bancos não conhecem a resposta para o quando (o fundo será atingido)". Todos pareciam concordar em "que o nível de capital necessário para os bancos americanos pode ser consideravelmente mais alto do que o governo dos EUA sugeriu através dos seus recentes testes de stress". Além disso, "alguém do FMI destacou que o seu próprio estudo sobre recessões históricas sugere que os EUA estão apenas a um terço do caminho daquela actual; portanto economias à espera de recuperar com o ressurgimento da procura dos EUA terão uma longa espera". Um participante declarou que "As perdas em acções em 2008 foram piores do que aquelas de 1929" e que "A próxima fase do declínio económico também será pior do que a da década de 1930, principalmente porque a economia dos EUA carrega cerca de US$20 milhões de milhões de excesso de dívida. Até que aquela dívida seja eliminada, a ideia de um boom saudável é uma miragem". [19]

Poderia a percepção geral de uma economia em recuperação ser a manifestação do plano de Bilderberg em acção? Bem, para proporcionar alguma visão para uma tentativa de resposta a esta pergunta, devemos ver que foram alguns dos participantes chave na conferência.

Banqueiros centrais: Muitos banqueiros centrais estiveram presentes, como habitualmente. Dentre eles estavam o governador do Banco Nacional da Grécia, o governo do Banco da Itália, o presidente do Banco Europeu de Investimento; James Wolfenshoh, ex-presidente do Banco Mundial; Nout Wellink, presidente do Banco Central da Holanda e na direcção do Bank for International Settlements (BIS); Jean-Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu; o vice-governador do Banco Nacional da Bélgica e um membro da direcção de directores executivos do Banco Central da Áustria.

Ministros das finanças e media: Ministros das finanças e responsáveis de muitos países também compareceram. Dentre os países com representantes presentes da área financeira estavam Finlândia, França, Grã-Bretanha, Itália, Grécia, Portugal e Espanha. Também havia muitos representantes das grandes empresas de media de todo o mundo. Isto incluia o editor do Der Standard da Áustria; o presidente da Washington Post Company; o editor-chefe de The Economist; o vice-editor de Die Zeit da Alemanha; o presidente e editor-chefe de Le Nouvel Observateur da França; o editor associado e comentarista económico principal do Financial Times; assim como o correspondente de negócios e editor de negócios de The Economist. Estas foram algumas das principais publicações financeiras do mundo presentes à reunião. Naturalmente, eles têm uma grande influência sobre as percepções públicas da economia.

Banqueiros: Também é importante nota o comparecimento de banqueiros privados à reunião, pois são os principais bancos internacionais que possuem as acções dos bancos centrais do mundo, os quais por sua vez controlam as acções do Bank for International Settlement (BIS). Dentre os bancos e companhias financeiras representados na reunião de Bilderberg estavam Deutsche Bank AG, ING, Lazard Freres & Co., Morgan Stanley International, Goldman Sachs, Royal Bank of Scotland, e é importante notar David Rockefeller, [20] ex-presidente do Chase Manhattan (agora J.P. Morgan Chase), o qual pode razoavelmente ser mencionado como o actual "Rei do capitalismo".

Administração Obama: Os membros da administração Obama envolvidos na resolução da crise económica também estiveram fortemente representados na reunião de Bilderberg. Dentre eles estava Timothy Geithner, o secretário do Tesouro e ex-presidente do Banco de Reserva Federal de Nova York; Lawrence Summers, director do National Economic Council da Casa Branca, ex-secretário do Tesouro na administração Clinton, ex-presidente da Universidade de Harvard e ex-economista chefe do Banco Mundial; Paul Volcker, ex-governador do Federal Reserve System e presidente do Economic Recovery Advisory Board de Obama; Robert Zoellick, ex-presidente do Goldman Sachs e actual presidente do Banco Mundial. [21]

Havia informações não confirmadas acerca da presença do presidente do Fed, Ben Bernanke. Contudo, se a história e os antecedentes das reuniões de Bilderberg é algo que nos oriente, tanto o presidente do Federal Reserve como o presidente do Federal Reserve Bank of New York estão sempre presentes, de modo que na verdade seria surpreendente se não tivessem ido à reunião de 2009. Contactei o Fede de Nova York para perguntar se o presidente comparecera a qualquer organização ou reuniões de grupo na Grécia nas datas assinaladas do encontro de Bilderberg e a resposta dizia-me para pedir à organização por uma lista de comparecimentos. Se bem que não confirmando a sua presença, eles também não a negaram. Contudo, isto ainda não está verificado.

Naturalmente, todos estes actores chave exercem bastante influência para alterar a opinião pública e as percepções da crise económica. Eles também têm muito a ganhar com ela. Contudo, qualquer que seja a imagem que construam, ela permanece apenas isso: uma imagem. A ilusão destruir-se-á muito em breve e o mundo chegará a perceber que a crise que atravessámos até aqui é meramente o capítulo introdutório da crise económica quando ela for escrita nos livros de história.

Conclusão

As advertências do Bank for International Settlements (BIS) e do seu ex-economista chefe, William White, não devem tomadas com ligeireza. As advertências de ambos no passado foram desconhecidas e demonstraram-se exactas com o passar do tempo. Não permitir que a esperança de "recuperação económica" apregoada pelos media ponha de lado a "realidade económica". Embora possa ser deprimente reconhecer, é de longe muito melhor estar consciente do terreno sobre o qual se pisa, mesmo que esteja juncado de perigos, do que ser ignorante e correr imprudentemente através de um campo de minas. Ignorância não é felicidade, ignorância é catástrofe adiada.

Um médico deve primeiro identificar e diagnosticar correctamente o problema antes de propor qualquer espécie de receita como solução. Se o diagnóstico for incorrecto, a receita não funcionará e poderia de facto tornar as coisas piores. A economia global tem um grande cancro: ele foi diagnosticado correctamente por alguns, mas a receita dada foi para curar uma tosse. O tumor económico foi identificado. A questão é: aceitaremos isto e tentaremos tratá-lo ou pretenderemos que a receita da tosse o curará? O que é que pensa que dará maior probabilidade de sobrevivência?

Como disse Gandhi: "Não há deus maior do que a verdade".
03/Outubro/2009
# Para uma visão geral da crise financeira que se aproxima, ver: "Entering the Greatest Depression in History: More Bubbles Waiting to Burst," , Global Research, August 7, 2009.

Notas

[1] Time, HEROES: Man-of-the-Year. Time Magazine: Jan 6, 1930: http://www.time.com/time/magazine/article/0,9171,738364-1,00.html

[2] James Calvin Baker, The Bank for International Settlements: Evolution and Evaluation . Greenwood Publishing Group, 2002: page 2

[3] James Calvin Baker, The Bank for International Settlements: evolution and evaluation. Greenwood Publishing Group, 2002: page 6

[4] James Calvin Baker, The Bank for International Settlements: evolution and evaluation. Greenwood Publishing Group, 2002: page 148

[5] James Calvin Baker, The Bank for International Settlements: evolution and evaluation. Greenwood Publishing Group, 2002: page 149

[6] Carroll Quigley, Tragedy & Hope: A History of the World in Our Time (New York: Macmillan Company, 1966), 324-325

[7] Carroll Quigley, Tragedy and Hope: A History of the World in Our Time (New York: Macmillan Company, 1966), 324

[8] Ambrose Evans-Pritchard, Derivatives still pose huge risk, says BIS. The Telegraph : September 13, 2009: www.telegraph.co.uk/finance/newsbysector/banksandfinance/6184496/

[9] Robert Cookson and Sundeep Tucker, Economist warns of double-dip recession. The Financial Times : September 14, 2009: http://www.ft.com/cms/s/0/e6dd31f0-a133-11de-a88d-00144feabdc0.html

[10] Patrick Jenkins, BIS head worried by complacency. The Financial Times : September 20, 2009: http://www.ft.com/cms/s/0/a7a04972-a60c-11de-8c92-00144feabdc0.html

[11] David Uren. Bank for International Settlements warning over stimulus benefits. The Australian : June 30, 2009:
http://www.theaustralian.news.com.au/story/0,,25710566-601,00.html

[12] Simone Meier, BIS Sees Risk Central Banks Will Raise Interest Rates Too Late. Bloomberg: June 29, 2009:
http://www.bloomberg.com/apps/news?pid=20601068&sid=aOnSy9jXFKaY

[13] Robert Cookson and Victor Mallet, Societal soul-searching casts shadow over big banks. The Financial Times : September 18, 2009: http://www.ft.com/cms/s/0/7721033c-a3ea-11de-9fed-00144feabdc0.html

[14] AFP, Top central banks agree to tougher bank regulation: BIS. AFP: September 6, 2009: http://www.google.com/hostednews/afp/article/ALeqM5h8G0ShkY-AdH3TNzKJEetGuScPiQ

[15] Simon Kennedy, Basel Group Agrees on Bank Standards to Avoid Repeat of Crisis. Bloomberg: September 7, 2009: http://www.bloomberg.com/apps/news?pid=20601087&sid=aETt8NZiLP38

[16] Abigail Moses, Central Banks Must Agree Global Clearing Supervision, BIS Says. Bloomberg: September 14, 2009: http://www.bloomberg.com/apps/news?pid=20601087&sid=a5C6ARW_tSW0

[17] FIABIC, US home prices the most vital indicator for turnaround. FIABIC Asia Pacific: January 19, 2009: fiabci-asiapacific.com/index.php?option=com_content&task=view&id=133&Itemid=41

Alexander Green, The National Debt: The Biggest Threat to Your Financial Future. Investment U: August 25, 2008: http://www.investmentu.com/IUEL/2008/August/the-national-debt.html

John Bellamy Foster and Fred Magdoff, Financial Implosion and Stagnation. Global Research: May 20, 2009: http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=13692

[18] Dawn Kopecki and Catherine Dodge, U.S. Rescue May Reach $23.7 Trillion, Barofsky Says (Update3). Bloomberg: July 20, 2009: http://www.bloomberg.com/apps/news?pid=20601087&sid=aY0tX8UysIaM

[19] Andrew Gavin Marshall, The Bilderberg Plan for 2009: Remaking the Global Political Economy. Global Research: May 26, 2009: http://www.globalresearch.ca/index.php?aid=13738&context=va

[20] Maja Banck-Polderman, Official List of Participants for the 2009 Bilderberg Meeting. Public Intelligence: July 26, 2009: www.publicintelligence.net

[21] Andrew Gavin Marshall, The Bilderberg Plan for 2009: Remaking the Global Political Economy. Global Research: May 26, 2009: http://www.globalresearch.ca/index.php?aid=13738&context=va

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© Copyright Andrew Gavin Marshall, Global Research, 2009

[*] Investigador associado do Centre for Research on Globalization (CRG), actualmente a estudar economia política e história na Simon Fraser University.

O original encontra-se em http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=15501

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

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